Pular para o conteúdo

Zé Sérgio: “sou o mesmo”

* Publicado na Gazeta Esportiva de 19/02/1983

Depois de muitas confusões e até algumas operações, Zé Sérgio voltou ao time do São Paulo e, efetivamente, não está jogando o mesmo futebol apresentado em 1980. Está voltando ao seu melhor nível físico, técnico e adquirindo, inclusive, maior confiança quando está com a boa nos pés. Aos poucos a eficiência dos seus dribles vai sendo readquirida a e velocidade, quase imbatível, aumentando a cada jogo.

Zé Sérgio está sem contrato e bem possível que ocorra a renovação. O jogador quer cerca de milhões de cruzeiros entre luvas e ordenados. O atacante do São Paulo demonstra uma mágoa acentuada por críticas, que ele considera injustas:

“Admito que as pessoas não estejam gostando do meu futebol atual e isso é natural. Mas não posso concordar com insinuações de que eu acabei para o futebol e dentro de pouco tempo tudo voltará para o normal. Aliás, tenho feito algumas partidas consideráveis muito boas pelos companheiros, pelo técnico e pelos jornalistas. É só uma questão de embalar e torcer para que para que não apareça nenhuma contusão para atrapalhar tudo novamente. Não tenho mais tempo a perder…”

Sobre as últimas comparações feitas entre ele e o Paulo Egídio, ponteiro do Corinthians, Zé Sérgio responde rapidamente:

“É um ótimo jogador e dá muito trabalho a todos os zagueiros. É rápido e seu jogo é, realmente, muito parecido com o meu. Sobre algumas opiniões de que ele é melhor jogador do que eu, prefiro não responder. Respeito todas as opiniões.”

Zé Sérgio é o típico jogador brasileiro. O verdadeiro. Aquele que o torcedor quer. Um futebolista criativo e em alguns momentos irresponsáveis. Uma responsabilidade aceita pela beleza mostrada dentro do campo de jogo.

“Sou o mesmo jogador, o mesmo homem. Admito que poderia estar jogando muito mais, mas o meu futebol não desapareceu…”

“Espero renovar meu contrato com o São Paulo por mais algum tempo. Tenho grande afinidade com este clube e isso também ajuda numa renovação contratual…”

“Não estou pedindo nada de absurdo. É a realidade do futebol brasileiro e estou dentro dela. Estou aberto ao diálogo, aceito discutir o assunto, meu pai está do meu lado e tenho certeza de que tudo vai sair muito bem. Gostaria apenas de ver esse problema resolvido o mais rápido possível.”

Em fevereiro de 1981, Zé Sérgio quase foi transferido para o Barcelona, antes de renovar o seu contrato. O presidente – na época – Antônio Nunes Galvão descarou esse negócio. Dias depois aconteceu a renovação.

O mesmo, afirmaram alguns conselheiros, deverá acontecer agora. O presidente José Douglas Dallora demonstra não ter a menor intenção em atritar com o jogador. A diretoria do são Paulo deve solucionar este problema nas próximas horas.

Sobre o time do São Paulo, Zé Sérgio demonstra entusiasmo:

“Há muito tempo que não vejo um time perder tantos gols como o São Paulo. É ruim, claro. Mas há aspectos positivos: só perde gols quem consegue criar situações para marcá-los…”

“A tendência do time do São Paulo é jogar cada vez melhor e os gols sairão normalmente. O que não deve ocorrer é o desespero. Se todo mundo ficar envolvido por um grande nervosismo a situação não será boa.”

“O São Paulo tem um ótimo centroavante, acostumado a ser goleador. O Careca é hábil, inteligente e com ele o Renato se entende e os ponteiros são mais utilizados. O time do São Paulo mudou muito com a saída do Serginho. O estilo do Careca é bem diferente.”

Voltando ao assunto “renovação contratual”, Zé Sérgio demonstra ansiedade em ver o assunto liquidado:

“Sempre que fica para a última hora complica. Já tive alguma experiência nesse sentido. Não que esteja querendo forçar nada, mas gostaria de acabar com a discussão de uma vez.”

O técnico José Poy é outro que torce por um acordo entre o jogador e o clube:

“O Zé Sérgio é um grande jogador. Nível de Seleção Brasileira e continuo achando que se ele estivesse na Copa, jogando bem, o resultado do mundial teria sido bem diferente. Como poderia então concordar com a saída de Zé Sérgio? Ele e o São Paulo vão se entender, tenho certeza disso. Ele quer continuar o Morumbi e o clube deseja isso também.”

O atacante do São Paulo chegou a ser lembrado por alguns clubes da Europa, embora nada de oficial estivesse surgido. Mas sobre boatos a diretoria do São Paulo foi definitiva: Zé Sérgio é inegociável e nenhum dinheiro irá tirá-lo do Morumbi.

Essa posição dos dirigentes do São Paulo é mais um dos motivos para que todos acreditem num acordo entre o clube e o jogador para a renovação de mais dois anos, como é o desejo das partes interessadas.

Comentários

comments