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Comissão técnica da Seleção fala sobre Roberto – Careca

Comissão técnica da Seleção fala sobre Roberto – Careca

* Publicado na Gazeta Esportiva de 12/06/1982

SEVILHA – (de Wanderley Nogueira – especial para A GAZETA ESPORTIVA) – Havia uma grande expectativa logo pela manhã, por uma palavra oficial dos dirigentes e a comissão técnica da CBF, em relação ao caso Careca.

O número muito grande de repórteres esperava o aparecimento do técnico Telê Santana e do jogador, assim como o diretor Medrado Dias, com a notícia sobre o pedido da CBF, que alegando motivo de força maior, pretendia a substituição do nome de Careca por Roberto.

Quando Telê apareceu, pediu ordem para transmitir a notícia de uma só vez para todos:

– Careca não terá condições de permanecer no grupo para ser aproveitado. Infelizmente, sofreu uma lesão muscular, diagnosticada pelo dr. Neylor Lasmar, e lamentamos ter que comunicar seu corte da seleção. Mas ele deverá permanecer com o grupo se assim o quiser, a convite da CBF. Para seu lugar, convocamos Roberto, do Vasco da Gama, que já foi comunicado no Brasil. Uma vitória da CBF conseguindo mudar a inscrição, utilizando um artigo e um item do regulamento, e assim o grupo permanecerá completo. Isso faz parte da vida de um atleta, lamentamos mas não se pode fazer nada. Analisamos os nomes inscritos, Nunes e Roberto. O Nunes foi operado e nos restou chamar o Roberto.

Motivo de força maior

O grande assunto de ontem cedo, esquecendo-se inclusive a disputa da posição de ponta-direita, sem dúvida continuou sendo Careca. O diretor da CBF, Medrado Dias, conseguiu a inscrição de Roberto:

– O regulamento foi analisado e em um de seus artigos, dizia sobre o motivo de força maior no item 5. Foi aí que nos apegamos, o motivo era de força maior, não poderíamos contar com o Careca para a Copa. Fomos atendidos e imediatamente nos pusemos a campo.

– O Telê foi consultado, verificou a situação que estavam jogando, e indicou Roberto. Foi sem dúvida uma vitória da CBF no caso. Pela madrugada, horário do Brasil, procuramos uma comunicação com a CBF e pedimos a localização do Roberto, assim, com as providências para o seu embarque.

– Lamentamos, mas nada se pode fazer. Eu mesmo conversei com o Careca em companhia do dr. Neylor, transmitindo a notícia que não seria possível aproveitá-lo, e assim teríamos que fazer uma nova convocação. Mas ele poderia e deveria permanecer com o grupo, o que em princípio ele disse aceitar.

Teria sido tensão emocional

O professor, Gilberto Tim, não queria envolver esse tema. Mas analisando o comportamento de Careca em todos os itens sobre sua contusão, chega-se a conclusão que a tensão emocional, não por participar de uma Copa, mas pelo envolvimento de seu nome e Serginho disputando a posição, pode ter sido o motivo mais forte de sua lesão.

– Não vou dizer exatamente nada isso, mas a tensão emocional pode ocasionar isso. São vários os aspectos que levam o atleta a uma lesão muscular. Mas isso tudo faz parte da vida de um atleta, e uma lesão não escolhe o momento, o dia, o treino, ou o jogo.

– O grupo ficou triste por um lado, um companheiro terá que ficar de fora. Mas não podemos lamentar, ou melhor ficar lamentando a vida toda. Existe também a alegria por receber de volta o Roberto.

– Conhecemos bem o jogador, que inclusive esteve conosco no grupo. Roberto é um atleta que sabe se cuidar, deve ser aproveitado da maneira que está fisicamente, e não teremos dúvida de que irá somar ao grupo. Apenas o técnico é quem perde uma opção diferente, pois a característica de Roberto é a mesma de Serginho, enquanto Careca era diferente.

A palavra do médico

O médico Neylor Lasmar estava sendo aguardado com a maior expectativa possível na abertura da concentração. Ele aparece já preparado para receber o elevado número de repórteres. A briga pela informação oficial do médico era grande:

– O Careca sofreu uma contusão muscular adutor da coxa direita. Efetivamente, precisaria de uns 20 dias no mínimo para se recuperar. Fez todo o tratamento possível, procuramos fazer vários exames, deixando o final para ontem cedo. Pela falta de tempo, havia a necessidade de uma palavra final.

– Seria, o último dia em que poderíamos fazer nova inscrição, e fui informado disso. Pela manhã voltamos a examinar o local e sentimos que não haveria possibilidade de recuperação.

– Lamentamos, mas o que podemos fazer? Procuramos conversar com o Careca, ele inclusive quando saiu de campo contundido já tinha ciência de que a contusão era grave. No período da noite, com muito tratamento procuramos aliviar sua tensão e esperar por um exame ontem. Infelizmente, não vimos possibilidades de recuperação. Daí temos que realizar o corte por contusão.

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