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Serginho e Telê , para melhorar o humor do torcedor do São Paulo.

 

O torcedor do São Paulo tem sofrido muitas decepções com personagens  do clube.

Para melhorar o humor da torcida, vale recordar episódio com dois queridos dos tricolores.

Eis o que falei pela JOVEM PAN, em 11/11/1980.

O texto foi publicado pela A Gazeta Esportiva, na época.

Serginho Chulapa e Telê Santana são amados pelos torcedores do clube.

Serginho jogou quase 10 anos no São Paulo.

Marcou 242 gols em 399 partidas.

É o maior artilheiro da história do clube.

Foi Campeão Paulista (75/80/81) e Campeão Brasileiro em 1977.

Era nome certo para a Copa do Mundo de 1978 ,  acabou perdendo a chance de jogar quando teve que cumprir um ano de suspensão por agredir um bandeirinha.

Em 1982, foi convocado para a reserva e acabou se tornando titular na Copa, quando Careca se machucou antes da estreia.

Telê Santana é ídolo do São Paulo.

Com ele no comando, o clube conquistou muitos títulos: Copa Intercontinental 92/93 ; Copa Libertadores da América 92/93 ;Supercopa Libertadores 93; Recopa Sul-Americana: 93/94 ; Campeonato Brasileiro 91 ; Campeonato Paulista 91/92.

 

“SERGINHO precisava marcar um gol trabalhado, construído, produzido como aquele que deu a vitória ao São Paulo, no último domingo.

Mesmo pressionado por Nenê, Serginho recebeu o passe de Renato.

Girou o corpo alto e forte e deu algumas passadas rápidas em direção à área da Ponte Preta – pelo setor esquerdo – e, já dentro dela, passou outra vez por Nenê, driblou com incrível habilidade o zagueiro central Juninho e tocou a bola com maestria, tranquilidade, precisão, um segundo antes da chegada arrojada do goleiro Carlos.

Os segundos que se seguiram fizeram com que Serginho voltasse ao passado, não muito distante.

Lembrou quando, com 17 anos incompletos, procurou o professor Firmo de Mello, no Bom Retiro, para fazer a “peneira” do São Paulo.

Dois testes depois foi aprovado e incluído nos juvenis. Passou por algumas experiências no time principal e foi emprestado, por seis meses, para o Marília, onde disputou o Paulistinha.

Recomendou a inesperada oportunidade de ser titular do São Paulo nos cinco jogos que faltavam para terminar o Campeonato Paulista de 74, depois de grave contusão sofrida por Mirandinha.

Um pouco antes, tinha ficado afastado quatro meses, depois da fratura no perônio da perna direita, contra o CEUB, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro.

 Não conseguiu deixar de lembrar que, em 76, ficou muitos jogos sem marcar, que o São Paulo começou a se movimentar para contratar um outro centroavante. Tornou-se arredio e preocupado.

 Foi impossível impedir que o ano de 1978 viesse à tona.

Aquele terrível jogo entre São Paulo e Botafogo, o momento impensado, o instante de rebeldia, a agressão ao auxiliar Vandevaldo Rangel.

 A longa suspensão, o fato de ter ficado fora de uma convocação iminente as faixas feitas pela torcida do São Paulo – “o Brasil não pode ficar sem Serginho na Copa de 78” – não puderam ser esquecidos. Uma espécie de cicatriz eterna.

 Sapateando, sorrindo, suado, abraçado, aplaudido pelo gol que marcou no último final de semana, Serginho não deixou de pensar na sua imagem.

A imagem que, por muitos motivos fez com que alguns afirmaram ser este centroavante marcador um marginal, um temperamental, um jogador marcado por árbitros e adversários.

 Há meses insiste em dizer que é um perseguido, que está pagando até hoje pelo pontapé que deu em Vandevaldo Rangel.

Outro profundo arranhão na imagem de Serginho foi o atrito entre ele e Nicanor de Carvalho, fisicultor do Corinthians, em novembro do ano passado.

 Os últimos anos passaram pela mente de Serginho, enquanto a torcida insistia em aplaudi-lo pelo gol marcado.

 Em julho deste ano, outra visita ao Tribunal de Justiça Desportiva, com infrator do artigo 114 (agressão ao adversário), e uma punição de quatro jogos. Não poderia esquecê-la.

 Outra vez garantindo que não era um cafajeste e que Telê Santana compreenderia a sua irritação no jogo contra o Palmeiras.

Telê não entendeu e Serginho perdeu a Seleção do Brasil.

Há alguns meses apenas, o atrito com o São Paulo, o estremecimento com o técnico Carlos Alberto Silva e o sonho gerado pela proposta oficiosa do Inter de Porto Alegre, que pagaria 50 milhões pelo seu passe.

De quando em quando, seus gols apagavam todos os problemas criados anteriormente.

O São Paulo prometendo vendê-lo, no final desta temporada, para o encontro da independência financeira provocou uma calma imediata.

 Com a visita do papa João Paulo II, Serginho foi anistiado e, somente por isso, deixou de ser punido em outubro de 1980, mas não deixou de se considerar injustiçado e incompreendido.

Meses antes, havia sumido na hora do embarque da delegação e depois ele e o São Paulo chegaram a um acordo político e, mais uma vez, havia a promessa de uma vida nova.

 Nos últimos 30 dias, Serginho mudou. Nem os companheiros sabem explicar por quê.

É um moço calmo, sorridente, extrovertido, como se estivesse esperando alguém ou alguma coisa.

 Alguns afirmam que a promessa de que será vendido após este campeonato resolveu todos os problemas, outros garantem que Serginho fez um compromisso consigo mesmo para reformular a sua imagem agressiva e indisciplinada.

Nos últimos dias, mesmo depois de receber pontapés, chegou a se desculpar com os zagueiros.

Conseguiu impedir que sua irritação o levasse ao revide. Sérgio Bernardino está sendo mais forte que o Serginho.

 Não estava concluindo com precisão nem a marcação de um gol especial. Um gol que ficasse incrustado no futebol brasileiro, que assumisse a postura de algo criado com carinho, que registrasse a sua condição de artilheiro hábil e oportunista.

 Tentou fazê-lo nas duas partidas contra o Internacional de Limeira, mas não conseguiu nada além de um gol comum.

Queria um gol inesquecível, tanto para ele, como para toda a torcida. Não escondia o desejo de ver o Brasil comentando um gol marcado como centroavante do São Paulo.

 No sábado, prometia a marcação do um gol importante..

 E conseguiu marcar um gol maravilhoso.

Que provocou reações positivas de todos os cantos e que não impediu o técnico Carlos Alberto Silva de sugerir uma placa homenageando o seu centroavante.

 Estaria surgindo o Serginho ideal?

 Um Serginho marcador, agressivo com a bola nos pés, hábil, bem fisicamente, impulsão forte, e um temperamento tranquilo.

 Os sintomas mostram que, nos últimos jogos, esse Serginho vai surgindo. Aos poucos, já que a rejeição é até certo ponto natural.

E o gol marcado por Serginho contra a Ponte Preta foi uma espécie de prêmio ao bom comportamento deste moço, que nos olhos mostra o desejo em começar um novo momento.

Um momento que mostre a sua imagem brilhante, positiva, reafirmada. Um instante que provoque a sua volta ao selecionado brasileiro.

Esse  foi definido pelo próprio Serginho como a maior emoção que o futebol lhe proporcionou nos últimos anos.

Peito estufado, cabeça erguida, resistindo às provocações, combatendo o próprio temperamento, Serginho continua inspirando confiança ao torcedor do São Paulo.

Torcedor que sequer quer pensar que Serginho está por sair do Morumbi. Prefere não pensar nisso agora.

Afinal, Serginho mudou tanto que pode até estar disposto a ficar.

Um gol que pode ter tido o condão de mudar a vida de Sérgio Bernardino”.

“TELÊ elogiou o gol que Serginho marcou.

 Telê Santana viajou, ontem à noite, para Europa. Somente retornará no dia 21, após presenciar três partidas internacionais, aí então dispondo de nove dias para contatos com seus observadores, a fim de convocar a Seleção Brasileira (22 craques), dia 1º de dezembro.

– A preparação dos brasileiros será na Toca da Raposa, do Cruzeiro, em Belo Horizonte, a partir do dia 11 de dezembro, pois a apresentação dos convocados deverá ser na véspera, às 18 horas.

– A partida amistosa contra a Suíça, em 21 de dezembro, está também virtualmente marcada para o Estádio José Fragelli, em Cuiabá”.

Telê, no fim de semana, viu dois jogos no Rio. Disse:

 – “Não gostei. Foram duas partidas irregulares”.

 Mas fez elogios ao gol de Serginho, visto pela televisão:

 – “Foi realmente um gol bonito, bem trabalhado e executado, desde a jogada inicial. Habilidade ótima a de Serginho”.

 

 

 

 

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