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Crime e jornalismo

Crime e jornalismo

Nunca houve grande dúvida sobre o conteúdo divulgado pelo site The Intercept ­ter origem em extração ilegal. De modo que, a se confirmar que tenha sido assim mesmo, novidade não haverá.

As respostas importantes relativas ao caso ainda não foram dadas. São urgentes; porque, neste vácuo, prosperam os mistificadores, inclusive jornalistas, que operam para desqualificar o interesse público do conjunto veiculado (algo claramente expresso nos diálogos) por meio da forma ilegal como foi obtido.

É preciso, mais uma vez, novamente à luz deste imbróglio, fazer a distinção entre atividade criminosa e atividade jornalística.

Vamos lá… Alguém obteve diálogos privados de maneira ilegal. Isso é crime. Em seguida, esse mesmo alguém forneceu tal material para um jornalista, que o difundiu. Isso não é crime. Trata-se de prática que a Constituição Federal assegura ao jornalismo.

Como, portanto, os responsáveis pelo site The Intercept poderiam ser criminalmente implicados neste caso? Se estiverem na origem da extração ilegal. Se tiverem sido eles mesmos os agentes do crime ou aqueles que encomendaram/financiaram a operação. Aí, tudo mudaria de figura.

Há, por ora, indícios de o site The Intercept e seus responsáveis estarem na origem da obtenção criminosa do conteúdo que – jornalisticamente – veicularam? Não. Se isso mudar, tudo mudará. Mas sempre com base em fatos.

Usar a atividade dos chamados hackers para confundir – para deturpar – o que seja o ofício jornalístico é irresponsabilidade.

Chego a outro ponto – cujo esclarecimento é fundamental. Até aqui, a integridade do conteúdo ministrado por The Intercept não foi negada por aqueles que participam dos diálogos. Cabe à Polícia Federal, doravante, trabalhar para informar à sociedade, com absoluta clareza, se houve alguma fraude no material divulgado. Até aqui, insisto, nada indica que tenha havido. Se isso mudar, mudará tudo. Mas sempre com base em fatos.

Usar a atividade dos chamados hackers para encobrir/minimizar a gravidade do que vai nas conversas entre, sobretudo, Deltan Dallagnol e Sergio Moro é investir na desinformação.

Então, por fim, temos: uma atividade originária ilegal, devidamente investigada, resultando na existência de conteúdo – de integridade ainda não contestada – veiculado de forma perfeitamente legal.