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O dia em que Weintraub acertou

O dia em que Weintraub acertou

Vejo com ótimos olhos o programa que o Ministério da Educação anunciou para incentivar a captação de recursos privados pelas universidades federais.

Em nome do bom debate, isso nada tem a ver com privatização do ensino – e pode ser, sim, um bom caminho para o financiamento das universidades. Algo deve ser feito.

O problema é real: a escassez de recursos é dramática. Diante de um fato, nada melhor que uma solução engenhosa. Para defender e assegurar a sustentabilidade competitiva das estruturas universitárias federais, um projeto que explore, por exemplo, a constituição de fundo imobiliário para vender propriedades ociosas da União e que invista na ampliação de mecanismos de captação de recursos do setor privado.

A universidade brasileira precisa se aproximar do setor privado – e essa é uma aproximação que tem dimensão conceitual, mas com desdobramentos práticos. A universidade brasileira, mesmo a privada, tende à hostilidade contra a iniciativa privada – logo ela, a principal fonte de empregos… Uma mentalidade que precisa mudar, algo que o projeto certamente ajudaria.

O anúncio do programa talvez represente, aleluia!, a primeira existência do MEC no governo Bolsonaro – e decerto é a primeira manifestação de Abraham Weintraub a ter lugar fora do o campo de batalha mental, aquele da guerra cultural, em que vinha passando vergonha. Parabéns.

O resumo da proposta feito pelo ministro, em quatro modalidades simples, é exato e vendedor: “patrocínio, patrocinador, aluguel e parceria”.

A ideia é criativa e realista. Agora é esperar para ver e fiscalizar a capacidade de operação do ministério. Costuma ser um gargalo. E aí?

Ah, sim: o nome, “Future-se”, é péssimo.