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Fracassou. Ainda bem.

Nilson Fukuda/Estadão Conteúdo
Fracassou. Ainda bem.

As manifestações de ontem – convocadas sob o pretexto de defesa da educação – fracassaram, tanto em matéria de público quanto de expressão: esvaziadas e truculentas; ao contrário das havidas em 15 de maio, desprovidas de estudantes, pautadas pelo aparato sindical e a serviço de agenda político-partidária poluída pela imposição do “Lula livre” e criminalizada por depredações e tentativas de intimidação, física, de jornalistas.

Celebro esse fracasso. Primeiro, porque indicativo dos riscos políticos de se associar projeto de poder – no caso, o lulopetista – à convocação constante de povo às ruas. Um dia, cedo ou tarde, o povo falta. Celebro, a rigor, tudo quanto possa relaxar reações em tempos reacionários…

Depois, porque disputa tribal por sobreposição de voz nas ruas, sob o risco de nos afundarmos em cultura plebiscitária, significa escalar o pico da radicalização e financiar imprevisibilidade/instabilidade, e equivale, em médio prazo, a inviabilizar economicamente um país já travado – razão para o povo não apenas faltar como se irritar. Afinal, país paralisado e institucionalmente instável é aquele que não mobiliza investimentos e, pois, não gera empregos.

De modo que, medidas as forças de parte a parte, entre feridos e feridos, espero doravante que pleitos legítimos não sejam instrumentalizados permanente e eleitoralmente para encobrir incompetência, ímpeto autoritário, falta de projeto nacional e a condição deprimente, alienante, de ser preso a um preso.