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A democracia, segundo Jair Bolsonaro

A democracia, segundo Jair Bolsonaro

Na entrevista que deu a Danilo Gentili, no The Noite, o presidente Bolsonaro conceituou sobre o que seria a democracia:

“É a classe política estar perfeitamente afinada com os anseios da população.”

Oi?

Que população?

Que afinação perfeita seria essa?

Os anseios da população estariam perfeitamente expressos, por exemplo, nas manifestações governistas do dia 26, mas não nas do dia 15, as dos “idiotas úteis”?

Não se pode passar batido por essa declaração, especialmente porque é consistente com várias e frequentes outras falas e ações de Bolsonaro.

É uma visão totalitária sobre a democracia, que confunde povo com governante popular; um olhar que marginaliza o dissenso e exclui a natureza da representação, a essência para o contraditório própria à democracia representativa – o que dá pluralidade, vitalidade, ao debate público. Afinal, os anseios da população também estão contidos nas pautas da esquerda, da oposição, goste-se ou não delas.

Em última análise, desde a boca do presidente, a definição bolsonarista “democracia é a classe política estar perfeitamente afinada com os anseios da população” equivale a dizer que “democracia é a classe política estar perfeitamente afinada com os anseios do governante”.