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Modus operandi lava-jatista em Brumadinho

EFE
Modus operandi lava-jatista em Brumadinho

O Ministério Público de Minas Gerais parece haver aprendido com a experiência derivada da tragédia de Mariana, aquela decorrente do rompimento da barragem de Fundão, em 2015, crime que matou dezenove pessoas e cuja lama assassina, depois de asfixiar o Rio Doce, foi desaguar no mar do Espírito Santo.

Não que, naquela ocasião, o MP-MG tenha falhado em seu procedimento. Não mesmo. O material acusatório que preparou é completo e desnuda, em detalhes, o conjunto de erros, negligências e corrupções que resultou no desastre. (Está tudo no magnífico livro de Cristina Serra.) Mas agiu, então, de maneira conservadora, passiva, digo eu, sem esticar a corda, contando, por exemplo, com a materialização de multas jamais pagas e sendo, pois, engessado pelos recursos procrastinadores da Samarco – mineradora de que, não nos esqueçamos, a Vale é acionista.

Travado então, o MP/MG ficou mordido, com a faca nos dentes. Parece ter sido uma lição, memória que resultou – por ocasião do novo rompimento, agora em Brumadinho – na aplicação de uma estratégia diferente, mais agressiva (também midiática), de caráter antecipatório a qualquer manobra de defesa, modus operandi que em tudo lembra o da Operação Lava-Jato e que claramente consiste em pressionar (surpreender) a Vale em duas frentes: bloqueio expressivo de valores, de forma a sufocar economicamente a empresa; enxurrada de mandados de busca e apreensão e de prisões temporárias, a serem talvez convertidas em preventivas, de modo a arrochar os presos (contra os quais, registre-se, ainda nada se tem objetivamente), todos ligados a empresas privadas, no prumo de uma delação.

Chave desta tática também é o caminho por meio do qual o MP-MG parece querer minar a defesa da companhia: a carga, ao menos inicial, sobre relatórios de estabilidade da estrutura, o que circunscreve as diligências à relação privada entre Vale e a consultoria que lhe prestou serviço de avaliação de riscos. Busca-se, assim, base probatória para sustentar ter havido fraudes na preparação de laudos engenharia de segurança. Como consequência, aposta-se, logo surgirão nomes de agentes do setor público envolvidos em licenciamentos ineptos por negligência, imperícia ou corrupção.

Como a Vale, por sua vez, não aprendeu coisa alguma com o ocorrido em Mariana, tudo indica que será a punida exemplar – uma espécie de Odebrecht da mineração.

Por fim, atenção ao nome da juíza Perla Saliba Brito, da Comarca de Brumadinho, magistrada responsável pelos bloqueios bancários da Vale e pelas prisões ocorridas nesta terça. A estratégia do Ministério Público de Minas só prosperou até aqui porque ela, plantonista, comportou-se como o Sergio Moro dos primórdios da Lava-Jato.