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O algoritmo, o boicote e nós com isso?

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O algoritmo, o boicote e nós com isso?

O segundo semestre de 2020 começou com questões ainda não solucionadas na primeira etapa do ano. E não estou falando sobre a crise gerada pela pandemia do coronavírus e a busca incessante pela cura. As questões em aberto tratam de notícias falsas e discurso de ódio disseminado nas redes sociais.

O dia primeiro de julho marcou o início do boicote promovido por 400  empresas ao Facebook e ao Instagram – outras redes, como o Twitter, foram afetadas por tabela, mas o alvo prioritário é a holding comandada por Mark Zuckerberg. O ponto de partida para a manifestação dos anunciantes foi a mobilização social #StopHateForProfit, que cobra medidas mais enérgicas das empresas contra a desinformação e o discurso de ódio em seus ambientes

O CEO do Facebook já se manifestou, segundo o site The Information, minimizando a mobilização e dizendo que os anunciantes vão voltar. O que provavelmente deverá mesmo ocorrer. Essas empresas, como já foi amplamente divulgado, representam porção pequena, menos de 10%, da receita global da companhia. O que significa que Facebook e Instagram poderão sobreviver mesmo com o boicote.

O ponto é: será que as marcas se mantêm presentes nas vidas dos consumidores ficando longe dos espaços em que eles mais passam tempo atualmente? Nessa queda de braço, a aposta real é sobre como se posicionar ao lado de uma demanda social inegavelmente importante, como o combate ao racismo e à homofobia, pode beneficiar a reputação dessas empresas desgastando a imagem já desgastada do Facebook.

Em breve os anunciantes voltarão e o Facebook continuará desgastado, mas onipresente na vida de bilhões de pessoas que utilizam Facebook, Instagram WhatsApp e Facebook Messenger.

Mas nada disso servirá para resolver uma questão que é anterior ao debate sobre o papel das plataformas como moderadores do debate: por que estamos cada vez mais intransigentes e alimentando o discurso de ódio nas ruas e nas redes. Sim, porque essa não é uma exclusividade dos meios digitais.

Nós, afinal, só levamos para o digital aquilo em que acreditamos e praticamos no mundo físico.

O Facebook é o primeiro a admitir que o combate ao discurso de ódio – a crimes praticados nos meios digitais – é como procurar uma agulha no palheiro, afinal, são mais de 100 bilhões de postagens sendo feitas diariamente. E, para encontrar essas agulhas, muita tecnologia vem sendo empregada, assim como esforços humanos.

Mas além de monitorar o que é publicado e expurgar o que é ruim, há outra responsabilidade que precisa ser colocada na conta das plataformas, que é a do papel do algoritmo como responsável por alimentar as bolhas que, de alguma forma, contribuíram para aumentar o nível de intolerância entre os grupos, que cada vez menos aceitam o contraditório, e também fomentam a desinformação, que gera o entendimento peculiar de que o mundo bom é aquele em que todos dizem o que você pensa.

As plataformas têm responsabilidades, é inegável. E o começo da construção é fazer com que as regras do jogo sirvam para todos igualmente, de forma transparente, e com que os algoritmos sejam agentes da compreensão e não da intolerância. Mas todos nós, enquanto sociedade, precisamos revisitar nossos papeis e nossas posições e perceber que somos participantes ativos e agentes do caos que, como tudo o que acontece atualmente, reverbera nos feeds das redes sociais.

 

 

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