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Na guerra entre EUA x China, tecnologia é arma fundamental

Na guerra entre EUA x China, tecnologia é arma fundamental

O conflito entre Estados Unidos e China, que vem se intensificando há meses com efeitos econômicos danosos para parceiros e empresas envolvidas na queda de braço, é muito mais do que uma disputa comercial. A guerra em questão tem como objetivo a dianteira na corrida tecnológica, que garantirá ao vencedor posição de destaque no cenário econômico global.

Há alguns anos o centro do desenvolvimento tecnológico mundial deixou ser o Vale do Silício, nos Estados Unidos, e migrou para polos de inovação em diferentes países, entre eles a China. Uma descentralização benéfica para o mundo todo, aliás. Não é como se o país asiático nunca tivesse trabalhado com pesquisa e inovação, mas assim como seus vizinhos orientais, os chineses conseguiram fazer a lição de casa de maneira correta ao priorizar desenvolvimento tecnológico como etapa básica para o crescimento econômico e social em médio e longo prazos. O resultado, em parte, é o que se vê hoje.

Houve o fortalecimento da indústria no país, impulsionado pela dinâmica mundial na qual as cadeias globais de suprimentos dependem cada vez mais da China (assistimos aos efeitos perigosos disso durante a pandemia do coronavírus).

Vimos  a construção de empresas chinesas fortes que se posicionam bem no mercado internacional (caso da tão falada Huawei, por causa da competição pelo mercado de 5G) porque entregam tecnologia de ponta com eficiência e custos interessantes.

E vimos as pesquisas com Inteligência Artificial e Blockchain, para ficar em dois exemplos apenas, avançarem significativamente.

Nesta semana, no Sociedade Digital, recebemos a fundadora da Oxford Blockchain Foundation, Tatiana Revoredo, para explicar por que a criação de uma criptomoeda chinesa e de uma plataforma nacional de blockchain podem promover um distanciamento ainda maior entre o mercado chinês e o resto do mundo. E por que é tão preocupante que isso aconteça:

Independentemente efeitos imediatos da disputa entre Estados Unidos e China, precisamos estar atentos ao impacto futuro dessa guerra sobre o mundo. Pode haver uma ruptura comercial que leve a tecnologias que não se comunicam  umas com as outras simplesmente porque empresas não podem fazer produtos que se conectem com equipamentos chineses ou americanos.

Estaríamos divididos entre tecnologias de americanos e seus aliados e tecnologias de chineses e seus aliados.

O impacto dos embargos promovidos pelo governos americano é sentido também pelas empresas do país, que dependem de peças e da mão de obra chinesa para viabilizar seus produtos. Enquanto isso, os chineses fortalecem o mercado interno, trabalham no desenvolvimento de aplicações próprias para que dependam cada vez menos de softwares desenvolvidos por empresas norte-americanas, com o Android do Google, por exemplo. Em paralelo, o público interno e as demandas de consumo que surgem por lá começam a ecoar com força cada vez maior nos quatro cantos do mundo. Um exemplo disso é o fenômeno TikTok, aplicativo mais baixado do mundo, que ainda não foi completamente compreendido, mas já provoca mudanças no mercado publicitário e também nas plataformas concorrentes, como o Instagram, que se apressou para reagir.

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