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Clubhouse e a (re)invenção do rádio

Clubhouse e a (re)invenção do rádio
Photo by Rafael Henrique / SOPA Images/Sipa USA)No Use Germany.

Sabe aquele momento em que você gostaria de pedir licença para o apresentador e fazer um breve comentário sobre o tema em discussão no seu programa favorito de rádio? Você vai me dizer que já faz isso enviando mensagens via WhatsApp ou Twitter. Mas eu te digo que não é a mesma coisa no Clubhouse, a nova sensação entre as redes sociais. Nessa plataforma, a premissa é que a interação seja instantânea, é como se você estivesse sentado na bancada, ao lado dos apresentadores, com a possibilidade de apenas ouvir o programa a partir de um lugar privilegiado ou interagir, como se fosse um dos debatedores.

O Clubhouse representa um momento importante da indústria da tecnologia, em que a voz está em alta. Os comandos por voz ganham cada vez mais espaço no mercado. E a rede social que baseia todas as interações e conteúdos em áudio simboliza esse momento. Embora não seja novo — está completando um ano de existência em 2021 — o Clubhouse ganhou visibilidade e desde a semana passada explodiu no mundo todo como o must have das redes sociais.

 

 

Vários influenciadores e criadores de conteúdo ingressaram na plataforma, marcaram território e ocupam posição de destaque, organizando as salas e os temas a serem discutidos. A dinâmica de salas oferece a possibilidade de cada um escolher os temas e as pessoas que interessam para então participar da roda de conversa. É bem verdade que grande parte dos usuários simplesmente atua como ouvinte, absorvendo conteúdo e conhecimentos compartilhados pelos moderadores e interlocutores.

Figurões como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Oprah Winfrey estão por lá. E aposto que vários dos seus contatos mais próximos também. Com mais gente entrando na plataforma, seja pela curiosidade do novo ou pelo interesse em explorar essa nova (velha) forma de interagir e gerar conteúdo, a tendência é que a dinâmica seja alterada e novos recursos inseridos. O interesse dos usuários chama atenção das marcas, que vão começar a explorar as possibilidades de utilizar o Clubhouse como mais um canal de contato com o consumidor.

Vale reforçar, no entanto, que apenas convidados podem fazer parte da rede social, cujo aplicativo tem compatibilidade apenas com o iOS, da Apple. O que deve mudar em breve, pelas razões citadas acima.

Esse modelo de audiência rotativa e de conteúdos efêmeros (quem não ouviu na hora, perdeu) replica o formato das estações de rádio. Mas há uma questão: o rádio não envia notificações a cada minuto, desencadeando uma urgência enorme em você para que sintonize e não perca o seu programa favorito. No caso do Clubhouse, há o risco de as mesmas angustias que criaram o fenômeno da dependência por likes intensifiquem o medo de perder algo importante (fear of missing out, ou FOMO). São muitos amigos e figuras proeminentes em diferentes áreas e muitos tópicos relevantes sendo discutidos simultaneamente. Cada escolha nesse clube representa uma concessão e teremos que lidar com isso.

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