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Miles Davis: o sopro que mudou a música

Miles Davis: o sopro que mudou a música

milesdavisposterMais uma vez peço licença aos leitores, que diariamente acompanham notícias e comentários sobre tecnologia, para falar sobre minha outra paixão, a música. Quem me acompanha na rádio e principalmente nas redes sociais sabe que faço referências a músicos e compartilho músicas de jazz ou blues. Dois dos meus artistas preferidos são gênios do gênero musical ao qual pertencem e do instrumento que tocam. São eles BB King e Miles Davis.

Usei esse mesmo espaço há pouco mais de um ano para falar de BB King e de sua Lucille. Hoje, mais uma vez, vou usar o espaço para homenagear aquele que na música foi um gigante de talento único e que até hoje influencia artistas dos mais diferentes gêneros.

Miles Davis nasceu no dia 26 de Maio de 1926. Desde pequeno demonstrou interesse pela música o que impulsionou a mãe a querer lhe dar um piano para que ele tocasse como ela. Felizmente o pai de Miles não acreditava que essa era a vocação do garoto e lhe presenteou, aos treze anos de idade, com um trompete. Ali nascia a lenda.

A partir desse ponto, você pode procurar a história de Miles Davis na internet ou nos livros de história do Jazz. Quero registrar aqui a sensação única e indescritível de poder ouvir Miles Davis tocar. Compartilho nas linhas abaixo o que senti quando o escutei pela primeira vez.

Se você o conhece, sabe bem o que acontece quando os primeiros segundos de So What são executados. Se você não conhece, posso dizer que baixo (Paul Chambers), piano (Bill Evans) e trompete (Miles Davis) parecem sussurrar uma conversa nos primeiros segundos de música. O volume aumenta, a conversa ganha corpo e te envolve. Quando você percebe, já não dá mais para sair, o compasso te arrastou e você está marcando o ritmo com os pés, enquanto ouve atentamente um papo de gente grande: o trompete de Miles e o saxofone alto (John Coltrane) e o saxofone tenor (Julian “Cannonball” Adderley).

Miles Davis cobrava muito dos músicos que trabalhavam com ele. E isso não significa que fosse odiado. Cada um deles sabia que aquele gênio inquieto estava buscando algo que nem eles mesmo sabiam que eram capazes de entregar, mas que estava lá, e se ele estava dizendo, era melhor acreditar. Muitas vezes nem ele mesmo sabia o que queria, também não sabia se daria certo, mas o jogo era experimentar.

miles davis trompeteCom uma técnica impecável, uma forma única de posicionar o trompete nos lábios, o que garantia um som diferente, e com um talento único, Miles Davis ajudou a formatar os principais movimentos do Jazz. Incorporou à música elementos que não fariam sentido num outro contexto, mas o que é o contexto se a genialidade diz que deve ser feito? Ele fez. Beboop, Cool Jazz, Jazz Fusion…só para citar alguns movimentos.

Miles Davis foi a porta que me levou para dentro do mundo do Jazz. A partir de Kind of Blue (sim, comecei por um clássico), fui descobrindo outros músicos, outros estilos, outros sons. E facilmente notei que existe algo de mágico no sopro de Miles Davis. Descobri que o som mais íntimo que seu som produz está no silêncio entre uma nota e outra. Se uma laringite o fez perder a voz e deixou a rouquidão dominar, o sopro o fez falar mais alto que todos através do som do seu trompete.

Infelizmente não consegui ver Miles Davis produzir sua mágica no palco ao vivo. Felizmente possuo os mais variados registros de sua obra e posso ainda hoje assistir aos shows de seus discípulos. Certa vez ele disse que tocaria ainda que não tivesse ninguém para ouvir porque a música estava dentro dele, dentro de seus ouvidos. Ainda bem que nós pudemos ouvir Miles Davis. Sua música está nos nossos ouvidos.

 

 

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