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Maternidade: equipes multidisciplinares são fundamentais durante os tratamentos de fertilidade

Maternidade: equipes multidisciplinares são fundamentais  durante os tratamentos de fertilidade

Dados divulgados pela Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (REDLARA), apontou que o Brasil lidera o ranking latino-americano dos países que mais realizaram fertilização in vitro (FIV), inseminação artificial e transferência de embriões – cerca de 83 mil bebês brasileiros nasceram, em 25 anos, por meio de tratamentos de reprodução assistida. Já de acordo com dados da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE), estima-se que meio milhão de crianças nasçam através de fertilização in vitro (FIV) por ano no mundo. Pensando nesse crescimento exponencial da medicina reprodutiva, é relevante abordar a importância do paciente ter um atendimento humanizado e multidisciplinar para que tenha o acolhimento necessário durante o seu tratamento.

Os processos de fertilização afetam tanto as mulheres quanto os homens e trazem repercussões na sua vida. Uma pesquisa revelou que, quando se deseja a gravidez, as mulheres inférteis têm mais chances de depressão do que as férteis. A perda de controle sobre a realização do desejo de ter um filho, além de outros sentimentos diante de um diagnóstico de infertilidade estão entre as principais causas de depressão.

Esse estudo apontou que mulheres inférteis e com depressão mostraram uma maior culpa e baixa autoestima (24,9%) em comparação às férteis. Também mostraram ter maior porcentagem de outros fatores associados, como: maior tempo de infertilidade; falta de apoio do parceiro; idade avançada e menor nível socioeconômico, que podem inviabilizar a realização de tratamentos de reprodução assistida. Alguns casais vivenciam esta situação com uma maior união, mas outros apresentam divergências e conflitos por vezes difíceis de lidar. Isso demonstra a relevância do acompanhamento psicológico durante o tratamento para engravidar. Muitas vezes os sentimentos vivenciados pelos pacientes são identificados nas clínicas onde são realizados os tratamentos de reprodução assistida. Por isso, ter um acolhimento psicológico para orientação e suporte, é fundamental.

“A maneira como cada pessoa vive essa situação pode variar, mas o sofrimento é algo sempre presente. Pode ser vivenciada, por exemplo, como uma perda e um consequente luto, em diferentes momentos: quando se descobre que a gestação provavelmente não acontecerá sem tratamento, quando há insucessos nos tratamentos e principalmente quando a gravidez é seguida pelo aborto. O cuidado com a saúde mental possibilita a elaboração de lutos, angústias e ansiedades, propiciando tomadas de decisões coerentes e que ajudam muito para se conseguir o tão desejado filho”, explica Claudia Gomes Padilla, sócia e médica especialista em reprodução assistida na Huntington Medicina Reprodutiva, referência em reprodução humana no País. A clínica conta com psicólogas que oferecem todo o apoio necessário neste momento tão importante na vida dos pacientes.

 

Cuidados

 

Outro ponto importante nesse atendimento multidisciplinar é a nutrição. É consenso que comer bem é um dos primeiros passos para quem pensa em ter filhos. O estado nutricional e o estilo de vida têm impactos importantes na fertilidade feminina e masculina.

Mesmo as mulheres que conseguem engravidar – seja naturalmente ou com ajuda da reprodução assistida –, diante de uma alimentação inadequada, podem ter problemas durante a gestação como a diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, que ameaçam a saúde do bebê e da mãe, podendo ocasionar aborto ou parto prematuro ou ainda, um crescimento inadequado do bebê dentro do útero. A alimentação exerce um papel importante também na síntese do DNA, e está envolvida tanto no desenvolvimento dos espermatozoides como dos óvulos. Ou seja, quando a dieta não está balanceada, pode interferir negativamente tanto na produção do sêmen, quanto na qualidade dos espermatozoides e óvulos. Essas situações podem ocasionar alterações no funcionamento do sistema reprodutor e interferir negativamente na saúde reprodutiva de homens e mulheres. A obesidade também afeta a saúde das células de todo o corpo e pode provocar inflamações crônicas no organismo, que reduzem a qualidade dos óvulos e espermatozoides, afetando, por exemplo, as taxas de sucesso de um processo de fertilização in vitro (FIV).

Neste cenário, a Huntington Medicina Reprodutiva acaba de expandir a unidade Ibirapuera, em São Paulo.