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Estudo de novo medicamento mostra redução de risco de morte em cânceres de colo de útero, de mama e melanoma

Três estudos de Fase 3 que mostram redução significativa de risco de morte para pacientes com câncer mereceram destaque nas plenárias principais do congresso anual da ESMO (European Society for Medical Oncology). Os resultados se referem ao uso de pembrolizumabe no tratamento dos cânceres de colo de útero (KN-826), mama triplo negativo (KN-355) e melanoma (KN-716).

Atualizando para uma notícia que acabou de chegar:  o remédio acabou de receber autorização do uso pela Anvisa para tratamento de câncer de endométrio. Esta terapia permitiu um avanço e tanto, pois há 40 anos não tinha novidades para tratamento deste tumor.

Sobre o estudo

O estudo KN-826 – recém aprovada pelo FDA – é uma nova opção na terapia para mulheres com câncer de colo de útero, que têm poucas opções de tratamento em casos avançados. Apresentada pela Dra. Nicoleta Colombo, do programa de ginecologia, divisão de ginecologia oncológica da European Institute of Oncology (IEO), a pesquisa avaliou que o pembrolizumabe associado à quimioterapia tradicional, com ou sem associação do bevacizumabe, reduz o risco de morte em 33%. Além disso, a combinação possibilitou que 15% a mais de pacientes respondessem ao tratamento, com 8,5% mais taxa de resposta completa (quando o tumor some totalmente) 8,5% maior no grupo tratado com o medicamento. O estudo também demonstrou que as pacientes tratadas viveram mais e melhor, favorecendo a manutenção da qualidade de vida.

Causado por alguns tipos do Papilomavírus Humano (HPV), o câncer de colo de útero, é a quarta causa de morte feminina no Brasil e o terceiro tipo de câncer mais comum em mulheres, atrás apenas para os tumores de mama e colorretal, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) 

“Após décadas de pesquisas no cenário do câncer de colo de útero, os resultados do KN-826 revolucionam as perspectivas de sobrevida para as mulheres e mudarão a forma de tratamento desta doença. Nossa maior alegria é podermos proporcionar mais perspectivas e qualidade de vida às pessoas por meio de nossas invenções”, ressalta Dra. Maria Aparecida Rego, diretora médica para Oncologia da MSD Brasil.

Ainda na ESMO, o Dra. Hope Hugo da University of California (UCSF) Medical Center – Helen Diller Family Comprehensive Cancer Center apresentou os resultados finais do estudo KN-355 com o uso de pembrolizumabe no tratamento do câncer de mama triplo negativo metastásico. Os dados demonstraram que o uso do medicamento, associado à quimioterapia convencional, reduziu o risco de morte em 27% quando comparado à quimioterapia, até então considerada terapia padrão.

O câncer de mama é o tipo mais frequente em mulheres, sem considerar os tumores de pele não melanoma. De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) II, são estimados 66.280 casos novos em 2021, dos quais 20% são os chamados triplo negativos, o subtipo mais agressivo que geralmente apresenta recorrência precoce, menor sobrevida e menos opções de tratamento.

“Este tumor tem o pior prognóstico entre os subtipos do câncer de mama, com poucas opções de tratamento. O resultado do estudo com pembrolizumabe amplia as opções de tratamento e aumenta a sobrevivência das pacientes”, comenta Dra. Maria Aparecida Rego, diretora médica para Oncologia da MSD Brasil.

 

Essa indicação em câncer de mama já teve a liberação do uso pelo FDA (agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) e, aqui no Brasil, a MSD Brasil segue com a solicitação à ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Já o terceiro estudo com pembrolizumabe foi apresentado pelo Dr. Jason Luke da Hillman Cancer Centre de Pittsburgh (EUA) e foca no tratamento de pacientes com melanoma em estadio II de alto risco, após a retirada do tumor por meio de cirurgia: o KN-716 reduziu o risco de recorrência em 35%, em comparação às pessoas que receberam placebo. Até o momento, os pacientes nesta fase da doença não tinham opção de tratamento e eram apenas acompanhados após a cirurgia, para monitoramento de recidivas. Esta é a primeira terapia que demonstrou resultados positivos no estadio II, diminuindo o risco de recidiva como tratamento adjuvante (após a retirada do tumor) com a manutenção da qualidade de vida.

No Brasil, dados do INCA estimam 8.000 novos casos de melanoma, sendo 4.200 homens e 4250 mulheres. Embora a doença seja menos frequente que os outros tipos de câncer de pele, ela apresenta alta possibilidade de metástase e maior mortalidade.