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Já ouviu falar em Síndrome da Gaiola? Psicóloga explica e faz alerta aos pais

Foto: Thalita Castanha
Já ouviu falar em Síndrome da Gaiola? Psicóloga explica e faz alerta aos pais

Ficar em casa para trabalhar remotamente e assistir aulas faz parte da vida de uma boa parcela dos adultos, que aderiram a esse modelo mesmo após a retomada de atividades presenciais.  Mas e as crianças, que passaram quase dois anos dentro de casa, sem ir à escola, sem brincar com outros da mesma idade, deixaram de participar de festas infantis, de conviver com primos em almoços entre família? Como isso impacta?

A psicóloga Helen Mavichian, psicoterapeuta especializada em crianças e adolescentes, alerta que existe, sim, o sofrimento mental de quem ficou confinado dentro de casa por quase dois anos durante a pandemia. Os efeitos causados não são iguais para todos e podem surgir nos filhos.  Segundo Helen, ao se abrirem novamente para o mundo, passam a enfrentar o medo do novo, de voltar ao presencial, de ter contato físico com outras pessoas.

Surge então a expressão “Síndrome da Gaiola”, para explicar o que acontece com crianças e adolescentes que até então estavam fechados num mundo isolado e agora têm que enfrentar a rotina fora de casa. É quase uma fobia social.

“A síndrome da Gaiola não é um transtorno. Mas pode se tornar quando se transformar em ansiedade social, que é o medo de encontrar pessoas em situações a que são expostas, como uma ida ao shopping center”, detalha a especialista.

Ela pontua que algumas crianças apresentam medo de ir à escola, de ir ao supermercado, crises de choro,  gritos e outras situações do dia a dia.

A retomada escolar, ainda que na mesma instituição, com mesmos professores e colegas de turma, também é impactada. “A escola também mudou. Existe uma nova rotina, uma nova adaptação. Todo mundo mudou e o modo de lidar com eles foi alterado. O dia do brinquedo, por exemplo, que era algo que as crianças gostam muito, não está acontecendo em muitas escolas. Eles também não podem mais se abraçar”, descreve Helen.

Nascidos na pandemia

Helen lembra que as crianças que nasceram em meio à pandemia estão agora conhecendo a convivência social.  Elas não tiveram contato com outras crianças, não conhecem o estar com o outro, não experimentaram nenhum convívio social, além do seu núcleo familiar, restritos aos pais. Elas vão a um parque e ficam surpresas. É um mundo desconhecido

“Por isso, é tão importante os pais levarem os filhos a lugares onde tem criança e ensinar a brincar com outras crianças. Hoje, eles brincam sozinhos, não sabem dividir brinquedos. Tirar objetos do lugar não é brincar. O ato de brincar é dar significado e isso só acontece com convívio social”, orienta a especialista.

Em relação aos adolescentes, embora estejam querendo voltar ao convívio com os colegas, eles agora apresentam um medo do que irão encontrar. Eles ficam divididos entre dois mundos. De um lado a liberdade e do outro,a fobia social.

Por isso, os pais devem ficar atentos ao comportamento, mudança de hábito dos filhos, independente da idade.  Caso note alguma alteração ou sinais de fobia social, procure um psicólogo.