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“Pais que afirmam que vacina faz mal não tiveram um filho com deficiência”, diz sobrevivente de pólio

Divulgação
“Pais que afirmam que vacina faz mal não tiveram um filho com deficiência”, diz sobrevivente de pólio
Paulo hoje engajado em falar sobre a importância da vacina

Nascido em 1964, Paulo Ferronato, o quarto filho de um casal de Santa Catarina gostava de  andar. Chegou a caminhar na neve. A poliomielite surgiu  aos 2 anos de idade e mudou sua vida em uma semana. O garotinho, até então ativo, ficou 6 meses deitado e só conseguia mexer os olhos.

Desespero definia os corações da mãe costureira e do pai funileiro, que iniciaram uma batalha, praticamente sem recursos na década de 70, para o filho recuperar os movimentos

“Minha mãe me colocava no balanço como uma maneira de fisioterapia”, relembra Paulo.

O amor da família foi o pilar de Paulo. Dirigiu um Fusca adaptado, uma ajuda do irmão para que o rapaz conquistasse a liberdade. “Mas tinha preconceito. Era difícil pegar ônibus para trabalhar e ir para a faculdade. Mas minha família sempre batalhou para minha inclusão. Ouvi muitos nãos”, conta.

O leonino forte se emociona quando comenta sobre os pais que, por desconhecimento e influenciados por fake news, deixam de vacinar seus filhos.

“Esses pais que afirmam que a vacina vai fazer mal não tiveram um filho com deficiência, não vivenciaram o preconceito na escola na recusa de matrícula, não vivenciaram a dor de ter sonhos interrompidos. Quando alguma criança, ao me ver na cadeira de rodas, pergunta o que aconteceu eu digo ‘eu não tomei a gotinha’”, descreve.

Para ele, além de um programa de imunização, são essenciais amor, respeito, afeição e, principalmente, acreditar na ciência.

Hoje, aos 57, o catarinense de Xanxerê (SC) e membro da associação de pacientes G14, é engajado em  alertar os pais e responsáveis sobre a importância da vacinação. Ferronato conta que apesar de todas as dificuldades, a doença lhe trouxe um grande aprendizado “Acho que evoluí bastante, mas gostaria de mostrar a minha história para alertar sobre o impacto dessa doença para as mães, pais e cuidadores, que muitas vezes não vacinam as crianças, não só contra a Poliomielite, mas contra outras doenças graves e preveníveis pela vacinação, principalmente na infância”, enfatiza o servidor público.

Risco da volta da poliomielite

A importância da evolução do calendário vacinal para a saúde infantil e o risco da ressurgência da Poliomielite por causa da baixa procura pela vacina foram os temas centrais do webinar “Por que ainda precisamos falar sobre a Poliomielite?”, realizado pela Sanofi Pasteur. No Brasil, desde 2015, a cobertura vacinal contra a Poliomielite, cuja meta preconizada pelo Ministério da Saúde é de 95%, tem registrado queda ano após ano.

O evento on-line contou com as participações dos médicos Dr. Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Dra. Luiza Helena Falleiros, membro da Câmara Técnica de Pólio do Ministério da Saúde, além de Paulo Ferronato, integrante da associação de pacientes G14 que teve Poliomielite na infância.

A iniciativa fez parte de uma série de ações educativas, programadas pela Sanofi Pasteur para o mês de outubro, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da vacinação como o mecanismo mais eficaz na prevenção da doença.2

“Estamos observando há algum tempo baixas taxas de adesão à vacinação contra uma doença prevenível por meio da imunização, como a Poliomielite.  É fundamental explicar aos pais a enorme gravidade dessa doença, que causa paralisias de membros e pode até matar a criança. É preciso acender um alerta para a enorme importância da vacinação, especialmente de crianças, contra a poliomielite”, enfatiza Luiza Helena Falleiros. Além disso, a médica também fala sobre a complexidade do calendário vacinal como um dos fatores que contribuem para a queda na cobertura vacinal. “A tendência é que o calendário vacinal evolua passando por uma simplificação do mesmo, com isso há uma redução da quantidade de vezes que os pais precisam se deslocar ao posto de saúde para vacinar os filhos” finaliza.

Os especialistas também enfatizaram o papel fundamental do Programa de Imunizações (PNI) e ressaltaram a importância da conscientização e sensibilização para que a nova geração não tenha contato com a doença.

Já Juarez Cunha destaca o cenário de volta às aulas como um possível agravante na transmissão do vírus. “A estimativa é de que a cada 100 crianças, pelos menos 40 não estejam completamente imunizadas, o que é altamente preocupante e torna a volta da Poliomielite uma realidade”, alerta o presidente da SBim.