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Depressão empreendedora e saúde mental dos colaboradores: o mercado de trabalho precisa dar atenção

Depressão empreendedora e saúde mental dos colaboradores:  o mercado de trabalho precisa dar atenção

Em tempos de pandemia de Covid-19, o tema saúde mental nunca esteve tão evidência, por vários aspectos, desde ter contraído a doença e passado pelo medo da morte, perda de entes queridos ou amigos, mas também o aspecto profissional. Jornada em home office , muitas vezes em horários ampliados, insegurança de desemprego e desafios também têm impacto na saúde mental.

Segundo pesquisa da UFMG em 2020, 24,9% dos empreendedores afirmaram que foram muito afetados psicologicamente pela pandemia: a necessidade do acompanhamento e cuidados com a saúde mental e início do uso de medicamentos, como antidepressivos, ansiolíticos ou ambos nesse período foi relatada por 15,6% dos entrevistados. No entanto, o problema de saúde mental no empreendedorismo precede a pandemia. Dessa forma, é necessário falar sobre a importância do bem-estar emocional e de que forma isso impacta na atuação dos profissionais.

Um estudo realizado pelo professor Michael Freeman, da Universidade da Califórnia, revelou que empreendedores têm 50% mais propensão de terem problemas mentais; duas vezes mais chances de sofrerem de depressão; além de terem tendência triplicada de fazerem abuso de álcool e drogas; dez vezes mais probabilidade de desenvolverem bipolaridade e inclinação dobrada de experimentarem pensamentos suicidas.

Alberto André, CEO do Plusdin, fintech de indicadores de serviços financeiros que recomenda produtos exclusivamente de acordo com as necessidades de cada cliente, é um exemplo de empreendedor diagnosticado com depressão e que, assim, enfrenta os desafios da doença em meio a um cargo de liderança.

“As consequências dessa doença na vida de um empreendedor são devastadoras, afinal, a companhia precisa de você para se manter em perfeito funcionamento. Atualmente, faço tratamento com profissional especializado, e isso me permite ter mais qualidade de vida para eu saber lidar com as diversas situações impostas tanto na minha vida profissional, como pessoal. Em momentos de crise, eu sei que não posso tomar decisões que vão impactar outras pessoas dentro da empresa. Alguns dos principais papéis de um CEO é inspirar e motivar seus colaboradores, e para fazer isso com transtornos mentais, é preciso ter muito autoconhecimento para não prejudicar o desenvolvimento da companhia”, afirma.

De acordo com um estudo de 2019 da Organização Mundial da Saúde (OMS), 264 milhões de pessoas sofrem com depressão e ansiedade no trabalho. Por isso, para Mônica Hauck, CEO da Sólides, empresa que segue transformando a gestão de pessoas através da inovação e tecnologia, é essencial que instituições e colegas de trabalho levem o assunto a sério e tenham respeito ao próximo.

“A área de recursos humanos deve estar frequentemente em contato com cada membro da equipe, oferecendo um eficaz canal de comunicação, onde pessoas se sintam seguras e à vontade para relatar problemas e trocar ideias. O setor de RH deve ter atitudes eficazes em caso de problemas. Iniciativas como palestras e dinâmicas e ações de endomarketing, precisam acontecer constantemente. Também é preciso que gestores tenham um olhar humano em relação aos seus colegas de trabalho, e que líderes recebam todo o suporte para manterem a saúde psicológica, assim como um canal aberto para comunicação e feedbacks, pesquisas de satisfação, e gestão de carreira”, explica.

Assim, com a retomada do trabalho presencial após um período de tantas incertezas e medos, companhias precisam ter atenção redobrada com toda a equipe, realizando uma assertiva gestão de pessoas, o que resulta em trabalhadores mais felizes, engajados e acolhidos, e assim consequentemente, estes trazem mais resultados para as empresas.