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Lipedema pode ser confundida com obesidade

Lipedema pode ser confundida com obesidade

Existe uma condição que pode confundir as pessoas com obesidade. O nome é lipedema, doença crônica, também conhecida por síndrome gordurosa dolorosa. No corpo, ela se manifesta com acúmulo de gordura na região dos glúteos e pernas.

Falamos sobre o assunto com o médico Fábio Kamamoto,  cirurgião pós-graduado pela Faculdade de Medicina da USP com 20 anos de experiência, artigos publicados internacionalmente e capítulos de livros sobre o Lipedema, um dos poucos especialistas no assunto em todo o Brasil. Lidera a equipe pioneira no tratamento cirúrgico do Lipedema no país, com mais de 70 pacientes operados nos últimos seis anos.

*1. O que é o Lipedema e por que a doença tem difícil diagnóstico?*

O Lipedema é uma doença causada pelo acúmulo de gordura nas pernas, coxas e braços. É provocado pela ação dos hormônios femininos sobre essas células, portanto na grande maioria das vezes afeta mulheres. Tem característica progressiva, ou seja, piora com o passar do tempo, provoca dores, hematomas e limitação física. Essas células de gordura não são eliminadas através de dieta ou atividade física.

A dificuldade do diagnóstico ocorre porque não há um exame de imagem ou laboratório específico para o Lipedema. Além disso, a grande parte dos profissionais de saúde desconhece essa doença. Apesar das estatísticas mostrarem que 9% das mulheres podem ter essa doença, muitos médicos, enfermeiros, nutricionistas ou fisioterapeutas não sabem reconhecer essa síndrome, o que leva a um atraso na detecção do quadro e piora da doença.

*2. Por que ela é confundida com obesidade?*

Apesar de se tratar de um acúmulo de gordura em uma parte do corpo, o Lipedema tem características diferentes da obesidade. A obesidade afeta principalmente o tronco, enquanto o Lipedema afeta os membros. A obesidade melhora através de educação nutricional. O Lipedema pode ser controlado com dietas, mas não regride completamente. A gordura na obesidade não dói ou evolui com hematomas enquanto no Lipedema sim. Pacientes com obesidade têm mais risco de diabetes, hipertensão, aumento de colesterol, enquanto pessoas com Lipedema não têm esse risco aumentado.

*3. Atinge somente mulheres, por quê?*

Existe uma relação entre a exposição da paciente a hormônios femininos (estrógeno e progesterona) e a piora da doença. As pacientes referem início dos sintomas após a puberdade e sua piora após uso de anticoncepcional, tratamentos para engravidar ou após a gestação. Essas mudanças hormonais podem provocar a proliferação das células de gordura nas pacientes com Lipedema.

A doença é rara em homens. Ela se manifesta naqueles com padrão de produção de estrógeno na gordura, ou seja, com obesidade e dosagem baixa de testosterona.

*4. Como é feito o diagnóstico?*

O diagnóstico é feito através da história da paciente e seu exame físico. A paciente normalmente refere uma história de acúmulo progressivo de gordura nos membros, uma desproporção entre o tamanho das pernas e do tronco – “pernas grossas e cintura fina”, dores nesta região e hematomas. Além disso é muito frequente elas descreverem casos semelhantes na família, uma vez que trata-se de uma síndrome com associação genética.

Ao examinar a paciente nota-se acúmulo de gordura em áreas normalmente “magras”: tornozelo, cotovelos, punho. Pode-se observar nódulos na área da gordura e em casos mais avançados, deformidade da pele.

*5. Como pode ser feito o tratamento?*

Existe o tratamento clínico e o cirúrgico. O tratamento clínico se baseia em mudança de hábitos. Uma dieta anti-inflamatória focada em redução de glúten, carboidratos, carne vermelha e sal. Com mais ingesta de frutas, legumes, e carne branca. Prática de atividades físicas regulares e nos casos onde há inchaço, uso de meias elásticas compressivas e drenagem linfática.

O tratamento cirúrgico se baseia na remoção das células de gordura e em alguns casos, no tratamento da flacidez de pele. A retirada da gordura é possível na região das pernas, joelhos, coxa e braços, através de lipoaspiração com técnica tumescente. Nesta modalidade utiliza-se uma grande quantidade de soro fisiológico, anestésico local e adrenalina, o que permite a remoção da gordura com pouca perda de sangue.

Para o tratamento da flacidez de pele pode-se usar no intra operatório o laser, para estimular a produção de colágeno e nos casos mais avançados pode se fazer a retirada do excesso de pele nas coxas e braços.