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Foi, Corinthians!

Foi, Corinthians!

Paulinho não estava lá na Bombonera pra fazer aquele gol de cabeça no Vasco, no Pacaembu, há 10 anos. Renato Augusto também não estava na casa do Boca para repetir o feito de superar o rival, 10 anos e um dia depois da conquista invicta de 2012. Maycon não estava na volta como não esteve na ida nas oitavas para repetir os dois gols da fase de grupos na Neo Química Arena. Fagner não pôde repetir o ótimo primeiro tempo em Itaquera (e foi mal substituído por Rafael, também mal protegido no acanhado porém compreensível 5-4-1-0 de VP). Adson não pôde puxar os contragolpes que Mantuan não conseguiu (até sair lesionado em Buenos Aires, como João Victor também teve de sair antes, no final do péssimo primeiro tempo corintiano na Argentina). Mosquito seguiu fora. Como Júnior Moraes ainda não conseguiu entrar no time.

O Corinthians não teve nenhum deles contra o Boca completo. Não teve chance e nem um bom jogo com tantos desfalques e tão pouco futebol  – porém justificável por tantas ausências de tudo.

E ainda não tinha Willian em plenas condições, mesmo quase fazendo um milagre para se recuperar da lesão no ombro.

Mas era mais uma jornada do Timão fazendo milagres. Ou fazendo Corinthians na casa hexacampeã continental. Com o barulho usual. Mas sem o futebol copeiro do Boca.

Criou oito chances o jogo todo o time de Battaglia. Rondou a meta de Cássio. Mas de novo jogou pouco. E quando teve a chance que Róger Guedes havia perdido no pênalti da ida, baixou o Palermo-99 em Benedetto. Bateu um pênalti nos 90 minutos como se fosse tiro de meta e mandou no pé da trave. E depois faria ainda pior em outros dois lances. Depois de canelar pra fora da Bombonera uma bola na cara de Cássio, perderia outro gol feito na paupérrima segunda etapa das duas equipes.

Os pênaltis que pareciam prováveis desde Itaquera se confirmaram. Como o talento de Rossi para defender as cobranças de Raul Gustavo e Bruno Melo. Como Cássio para defender o de Villa, e ver Benedetto se superar chutando como se fosse futebol americano um dos piores pênaltis da história, perdendo o match ball. E quase a bola do jogo que foi parar no segundo lance de arquibancada.

Mais uma cobrança indefensável de Benedetto. Seguida por uma cobrança indefensável de Róger Guedes. Desta vez na melhor acepção. Um golaço de pênalti.

Tudo igual.  Até Cássio fazer mais uma das dele ao defender a cobrança de Ramírez. Seguida pela corintianísima batida de Gil. Rossi parecia defender o chute. Mas a bola entrou. Sofrida. Suada. Corintiana.

Gol do zagueiro que só entrou pela lesão de João Victor. Predestinado.

Um gol que vai muito além da sofrida e histórica classificação corintiana. Vai muito além do campo de jogo.

E vai, Corinthians, para quem não merece ir. Vai pra você, “corintiano” que ameaçou há meses a família de Cássio. Você não merece tudo que não estão dormindo agora milhões de corintianos sofridos e extasiados.

E vai, e muito, para aqueles bípedes que cometeram em três jogos do Boca contra o Corinthians injúrias e atos de racismo: vocês merecerem este gol que os desclassificou.

Este momento de Gil.

Esse gol da derrota.

Esse sabor amargo de quem não merece ter a alegria e o orgulho dos corintianos que não puderam jogar como tantos desfalques que VP bem superou. Mas que, no fundo, e como sempre, estiveram mesmo todos juntos defendendo com Cássio, chutando com Gil, vencendo como Corinthians.

Estando com o Timão onde ele for. E como for.