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A violência no futebol

A violência no futebol

Bípedes vestindo camisas de torcidas mais organizadas que alguns dos clubes pelos quais parece que torcem se engalfinharam na Marginal Tietê. Bem longe do local da partida em que os clubes de cidades muito distantes iriam se enfrentar, no domingo.

A pancadaria que só não teve mais vítimas pela piedade divina com quem não sabe o que faz aconteceu perto da Ponte do Piqueri. Inaugurada em 1964.  Rebatizada em 2016 com o nome do meu pai.

Perdão por mais uma vez particularizar uma situação que é pública. Não apenas de segurança. Mas de cidadania.

Mas quando tem um local entre tantos na cidade em que nasci que presta homenagem a quem me deu a vida, fico pensando em quem quase a perdeu por ali. A quem bateu e brigou não se importando com quem apanhava e também batia. A quem também tem pai. Mãe. Família.

Se minha família é homenageada ali perto, imagino a de quem quase perdeu alguma vida por ali.

Mais um texto meu que vai ser tão inócuo quanto torcida única em estádio. Mais palavras jogadas no lixo como algumas faltas de atitude das autoridades incompetentes.

As que empurram com a barriga refestelada no sofá que tentam jogar fora quando o crime é ali cometido. Quando a falta de respeito e amor é ali concebida.

Quase toda rodada falamos de erros terríveis de arbitragem. E de desumanidades cometidas em nome do “amor”. De uma nação, família, bando, facção.

Facão que corta na alma a nossa paixão.

Mas, reitero, como o professor Murad: não é só violência DO futebol. É NO futebol. É neste Brasil onde impera o tiroteio da pátria armada. Dos párias armados até os cascos. Dos desalmados que nos desgovernam há anos. E não apenas os últimos de incentivo ao olho por olho, pata por pata.

Somos todos vítimas disso que está aí. E somos todos mais ou menos responsáveis pelos irresponsáveis que elegemos. Em todas as esferas. Em quase todas as últimas eleições.

A conta não é só de quem está aí que não está nem aí com isso. E gosta mesmo de receber à bala e responder acima da linha da bola as questões que mal sabe falar.

Somos todos vítimas e algozes de tudo isso. E não adianta ficar em casa como quer o despudor público e a promotoria de eventos em vez de segurança.