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Doutor, eu não me engano, o pai é corintiano

Doutor, eu não me engano, o pai é corintiano

O pai de Paulo de Tharso morreu como pretendia partir (e de fato morreu) o ídolo dele, quatro anos antes: no dia em que o Corinthians fosse campeão. Doutor Sócrates se despediu quando o Timão foi penta brasileiro, em 2011. Alfredo foi no do hexa, no Dia da Bandeira de 2015. Empate em São Januário.

“A gente estava no velório ouvindo os rojões e foi a primeira e única vez que eu não assistia ao Corinthians ser campeão desde que nasci. Nossos amigos vinham pro velório bêbados e com a camisa do Timão depois da comemoração. Meu pai também estava com a camisa do Corinthians no caixão, e com uma bandeira”.

Alfredo era membro da torcida  Garra Corinthiana, nos anos 70. A primeira vez que ele foi ao estádio foi Corinthians 1 x 0 Santos. Alfredo saiu em silêncio do Morumbi em 1974. Mas invadiu barulhento o Maracanã em 1976. Encheu a cara como Palhinha na primeira vitória contra a Ponte, em 1977. Estava na virada da Macaca no segundo jogo. Por isso e por 1974 não quis voltar ao Morumbi pra finalíssima. Celebrou Basilio pela TV na casa do avô palmeirense e malufista. Como se fosse pouca a desgraça pro corintiano, metalúrgico e futuro petista.

Quando Alfredo conheceu a mãe de Paulo, os estádios ficaram pra trás. Como a capital. No interior eles foram algumas vezes. Mas queriam mesmo era ter logo uma casa para visitarem pais e filhos. Quando ficou pronta, em 2014, a mãe adoeceu. Ela se curou do câncer. Mas toda a convalescença dela adoeceu Alfredo. Ele só queria conhecer Itaquera quando a mulher estivesse bem.

Ela melhorou. Ele faleceu no dia do hexa. O jogo seguinte foi o de levantar o caneco. A maior goleada corintiana no Majestoso. 6 a 1. A família toda reunida na sala para ver pela TV a festa na nova casa. No quarto gol, lindo giro de Bruno Henrique, letra de Danilo como Sócrates para Lucca ampliar..

“Sai aquele lance e eu na hora me levanto pra ir falar sobre o golaço com meu pai que deveria estar no quarto dele… Ele não estava mais. Meus irmãos perceberam.  O silêncio só foi quebrado pelo nosso choro”.

Meses depois…. “Enfim fomos conhecer a Arena. Um 3 a 0 naquela Ponte que ele não quis ir ver em 1977.  Eu, meus irmãos e minha mãe fomos para Itaquera. Só faltou meu pai. Aliás, não faltou porque a gente sentia e ainda sente ele o tempo todo”.

Pode mudar de casa e de cidade. Pode mudar o nome do clube. Mas é tudo DNA. Berço. Família que só muda de endereço. Não de compromisso.