Pular para o conteúdo

45 do Segundo Tempo – o filme da minha vida

45 do Segundo Tempo – o filme da minha vida

Quando sentei pra ver o filme dirigido por um amigo que é craque, a minha expectativa era a mesma quando vi “Godfather 2”. Sabia que seria maravilhoso. Tinha Palmeiras de todos os tempos. Dante Alighieri da nossa época. São Paulo da nossa gente. Cantina da nostra Itália. Uma cidade do interior para ir com os amigos. Irmãos de colégio pela vida. Denise Fraga. Tony Ramos. O amigo dantesco Fabio Nassar como ator. O Dante como cenário. Amizade. Paixão adolescente. Eterno amor incondicional.

Quando acabou a sessão que fiz questão de ver sozinho a convite do amigo, logo depois de operar minhas costas, não conseguia me levantar de emoção. De rir no começo do filme. De me identificar com histórias e personagens. De me emocionar na trama que não darei spoiler (até por não fazer crítica de cinema, mais crítica que cinema).

Temas que só de pensar já chorava. Só de ver a cena as minhas lágrimas já “sublimavam”. Porque elas eram concreto de minha argamassa de experiências. Já viravam o ar que perdi algumas vezes como se fosse o documentário dos nossos dias.

Todas aquelas câmeras que nos anos 1980 não eram digitais e não tirávamos fotos. Não tinha celular. Mas ficam mais guardadas na minha memória que não tem nuvem, HD externo e interno que guarde em tamanha definição. Perpétua.

Luiz Vilaça, o diretor que é amigo, eu não conheci no colégio onde estudamos. Na época em que ele namorou a irmã da minha mulher. O Luiz eu conheci pela minha primeira mulher, amigo de faculdade dela.

Tudo é muito família. Qualquer família.

Cito isso tudo só pra dizer que sou a pessoa menos isenta para falar do trabalho dele. Ainda mais quando filma-documenta-conta-preserva pedaços generosos da minha vida. Das minhas maiores paixões. Mostrados com graça e sensibilidade. Amizade e amor.

A maior arte do cinema é nos fazer atores em cena. Como se fôssemos Tony Ramos. Como ele virou dono de cantina. Dantino. E até palmeirense que ele não é. Mas no filme foi mais do que todos nós. Não só pelo ator absurdo que é. Mas pela pessoa que é gente como nem sempre somos.

Prometi não contar cena nenhuma. Até porque não estaria à altura desse Pai da Noiva encontra os Boleiros para contar o Segredo dos seus Olhos. Mas me mordo querendo abraçar os amigos na saída do Metrô. Queria uma caixa d’água para mergulhar de cabeça e acordar molhado de anos 1980. Não por eles serem melhores.  Mas por serrem os nossos melhores.

Aqueles do meu colégio. Dos meus amigos até hoje. E daquela loirinha de saia que é o meu amor adolescente e adulto.

O filme  “45 do Segundo Tempo” mostra que ainda tem muito jogo. E sempre tem tempo para a gente o virar.

(Acréscimos: por que só agora escrevi a respeito do filme? Para que ele pudesse ficar na minha memória do jeito que minha Biondina, nosso Palestra e o nosso Dante estão. E com o dever de dizer que não consigo ser isento para falar de tantos amores assim).

 

Nos cinemas, em 2 de junho.