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Freddy Rincón

Freddy Rincón

Freddy, eu sempre torci mesmo não querendo por você. No gol de empate contra a Alemanha dos meus bisavós, na Copa-90, celebrei pela sua emoção e da Colômbia nas suas passadas largas como aquela campanha.

Nos 5 a 0 da foto em Núñez, em 1993, contra a Argentina, eu comemorei o show, mas eu queria mesmo Maradona na Copa-94.

Dias depois, Seraphim del Grande me falou que a Parmalat daria ao Palmeiras em 1994 um grande presente que eu não podia noticiar ainda – você. Guardei o furo, e fui muito feliz com você campeão paulista em 1994. Com o golaço que encaminhou o título contra o Ituano. Meses depois da festa da Brahma em que ficamos um tempão conversando. Eu sem entender o seu espanhol enrolado.

Mas você se fez entender pela bola. E depois falando português tão claro e inteligente quanto seu jogo. Quando voltou ao Palmeiras em 1996 para substituir o Rivaldo que o substituíra em 1994, não foi o mesmo. E quando foi para o Corinthians em 1997, falei pro vice Zezinho Farah que ele tinha contratado um craque. Mas que não estava querendo mais nada com nada…

Apenas o mundo que você levantaria campeão e capitão em 2000. Quando Joel Santana ainda em 1997 o colocou de volante naquele Timão que quase caiu. E você o reergueu na volância com Luxemburgo. Jogando como o melhor volante que vi em 50 anos de Corinthians. Para não dizer desde 1910.

Santos. Cruzeiro. Voltou para o Corinthians e quase caiu no SP-04. Parou de jogar. Teve problemas extracampo. Mas saiu jogando com classe.

Eu adorava (temendo e tremendo)  provocar você. E Freddy só me dava aquele olhar como se eu fosse os parceiros Marcelinho e Edilson. E então riamos.  Você arregalava os olhos e abria aquele sorrisão que não parecia combinar com aquela cara brava e fechada que era só fachada.

Eu não gostava de te ver tão campeão pelo Corinthians. Mas gostava de ver o craque que virou amigo ser feliz. “Melhor eu ser teu amigo do que levar uma cotovelada na fuça”. E você sorria sacana.

Freddy, você alegrou e honrou o meu mundo em 1994. E você alegrou e conquistou o mundo deles em 2000. Conquistar palmeirenses e corintianos é pros bravos.

Como bem definiu Leandro Iamin: “altivo, malicioso, áspero, truculento, e no entanto arisco, alegre, elegante, exuberante. Um dos maiores casos de comunhão entre força bruta e técnica refinada. Rústico e sofisticado. Cada coisa em sua hora”. Por isso foi tanta coisa por tantos tão diferentes

Força e luz, Freddy e os Rincóns.