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Não podemos elogiar esse futebol

Não podemos elogiar esse futebol

Falo por mim, que sou um pai que não é muito exigente com os filhos, um professor de Jornalismo que não era muito exigente com os alunos, um cidadão que deveria ser mais exigente com as autoridades – ou do jeito que sou mais crica como torcedor do meu time e da seleção do meu país (e da seleção dos países dos meus bisavós italianos e alemães…): devemos TODOS ser mais exigentes com o pouco futebol que vemos no BR-20.

E ainda mais com os treinadores, atletas, cartolas e colegas que enxergam “bom futebol” quando pouco vemos de “bom”

e de “futebol” em campo.

O Brasil é pentacampeão mundial também por não se contentar com pouco.

Não pode um ótimo treinador e conhecedor de futebol como Tiago Nunes dizer depois de mais uma atuação ruim que a “a gente jogou um bom futebol hoje, em se tratando de um clássico, um jogo difícil, um jogo emocionalmente duro, a gente conseguiu fazer uma boa atuação, equilibrada”.

Equilibrada, de fato, por ter jogado pouco. Uma chance e o gol no primeiro tempo. Mais uma chance na segunda etapa e só.

Em se tratando de um clássico, mais um motivo para jogar melhor. Com mais intensidade. Criatividade. Ofensividade. Desempenho sem a bola. Mais volume de jogo. Mais tudo do que não se viu de novo.

Não é só o Corinthians e o time de Tiago que jogam tão pouco. Quase todo mundo parece dragado por um vórtex que deixa todos os times sem nada. Tipo Space Jam.

São vários problemas e questões que levam a isso. Sabemos.

Mas quando os treinadores dizem que é bom o que é ruim, mesmo que fazendo isso para não perderam emprego e/ou a confiança de um grupo que está sendo mimado demais por todos nós, vamos nos perder ainda mais.

Até compreendo quando os jogos não são o que poderiam ser. Mas quando não se exige nada, mais nada teremos.