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O Derby Eterno até quando não pode ser

O Derby Eterno até quando não pode ser

Não fosse o “frangueiro” grafitado na trave de Itaquera, o Palmeiras poderia na intensa segunda etapa ter virado o Derby e até vencido pela diferença que hoje existe entre os times e elencos.

Mas parece que a zica da invasão na madrugada anterior cobrou o preço na bola estranha e defensável que quicou no “8 x 0 eterno” da pequena área e tirou Weverton do lance e o Palmeiras do sério na primeira etapa onde, de velho, o Corinthians ganhou todas as bolas e se multiplicou nas divididas. Sabendo mais jogar um clássico do que jogar futebol.

Algo que o Palmeiras tem perdido contra o rival centenário. Pode ter mais time (ainda que mais desfalcado na retomada), pode ter mais elenco, pode ter tido mais chances, pode ter mudado mais taticamente sem tempo para tanto, poderia em condições do velho normal que foi Cássio catando tudo ter ganhado e calado cornetas.

Para mim não teria Derby em Itaquera e nem Gre-Nal em Caxias.

Mas teve jogo.

Histórico e histérico.

É o novo normal que não passa de um velho anormal.

O novo normal alviverde é deixar o rival sozinho na hora do gol. É perder logo de cara por lesão no choque entre dois do mesmo time um cara fundamental como Viña. É quase todo mundo jogar menos (mas aqui se compreender pelo destreino e pandemia). É Lucas Lima e Raphael Veiga jogarem menos ainda. É Rony ter tido efeito suspensivo de seus recursos técnicos em campo. Luiz Adriano ter feito pouco. Até Willian não ter sido o de sempre (mas quase marcando um golaço que bateu na trave logo no começo). Como o Palmeiras parece que bate numa trave que o trava nos últimos Derbys.

Acontece.

E tem acontecido bastante com o Corinthians que se supera no clássico. Vinha muito mal quando o SP-20 parou, achou o gol logo depois de bola na trave de Willian, e na segunda etapa só teve uma chance de gol no final. Quando deu a bola e o campo ao Palmeiras, sentindo a ausência desde o início de Cantillo, e mais uma vez melhor presença individual e coletiva no 4-2-3-1 reativo proposto.

Se no primeiro tempo o Corinthians ainda ganhou todas as bolas de um inerme e inerte Palmeiras esburacado pelas ausências e por 4-3-3 que não rolou, depois do intervalo o jogo inverteu. Luxemburgo apostou em Lucas Lima por dentro no repaginado 4-2-3-1. O Palmeiras melhorou bastante. Ou o Corinthians deu espaço que o vingador Cássio preencheu como quase sempre.

Mas se ainda estivessem jogando o jogo que ainda não era para ser jogado, a impressão que fica é que Cássio seria tão eterno quanto os 8 x 0 de 1933 e o 8/4 de 2018.

Como o Derby se escreve e se reescreve com todas as tintas e tons. E também uns tontos.

22 de julho há 69 anos é o dia da Copa Rio do Palmeiras. Em 2020 foi a noite de mais um jogo sem o espírito de porco, a alma de periquito, o Palmeiras que eles conhecem o que é. Mas parece que nós de verde não sabemos quem somos.

Porque os de preto e branco foram muito Corinthians em Itaquera.