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Corinthians, minha vida não é você. Mas sem você minha vida teria menos graça.

Hoje eu não vou escrever “parabéns” pelos 109 anos de Corinthians porque os que torcem comigo vão torcer o nariz mais uma vez ou até distorcer os meus votos sinceros. Quem é Corinthians pode achar hipocrisia. Que eu quero jogar pra galera. Que sou mureteiro. Marketeiro em vez de marrento passador de marreta. Passador de pano. De vergonha.

Essas excrescências que o mundo que polarizamos além da conta produz.

Mas não vou deixar de dar parabéns pelo que vocês são e eu sou do outro lado da cidade e da amizade.

Polos opostos que se atraem. Como na Linha Vermelha do metrô paulistano: a que começa na Palmeiras-Barra Funda e termina na Corinthians-Itaquera. Ou é o contrário. Depende do ponto de partida. Ou do fim dela.

O fato é que um não vive sem o outro. Pra um viver melhor o outro tem que sobreviver pior. É do jogo. É da nossa vida.

Por isso dou os parabéns por vocês serem tudo que não somos. E vice versa e o campeão prosa. Nestes dias dias de intolerância e ignorância, entender e respeitar o outro lado é essencial para a gente entender o que somos.

Mais que ter amor pelo Timão, vocês têm Corinthians pelo Corinthians. Vocês Corinthians o Corinthians.

Um substantivo que é verbo. Adjetivo. É tudo. Resume todos.

É mais que amor. É Corinthians.

São vocês. Um bando de loucos.

Tão bom pra nossa gente quanto ganhar é vocês perderem. A recíproca é real, rival.

Parabéns, irmãos de outras cores e credos. O que sentimos por vocês mostra toda a grandeza da nossa rivalidade. Respeitar vocês é respeitar as nossas diferenças que nos fazem tão iguais.