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Carta da bola para Fernando Diniz

Fernando, sou eu. A bola. Só pra expressar meu carinho e respeito que tenho por você. Sei que a admiração é recíproca. Sinto que talvez não tenha nestes campos ninguém que saiba tanto de mim como você. Mesmo.

Só que, sei lá. Me sinto meio pressionada. Stalkeada que fala, né? Ando estranha… Parece que gosto de quem me trata mal… Não sei.

Não vou falar “mulher de malandro” que isso sempre foi incorreto. Mas essa expressão é de uma época em que se tratava melhor as bolas. Éramos mais respeitadas. Queridas. Admiradas.

Como você sempre faz. Nem digo que é o último romântico.

Parece mesmo o único.

Mas eu quero dar um toque em quem tanto me toca bem. Em você que me quer bem. Sério. Vá por mim: me larga às vezes. Ou muitas vezes. Na zona do agrião pode me dar um bico. Não que eu goste, não é isso. Mas a turma que não aprecia vai cair matando em você se der errado como tem dado demais nos últimos dois anos. E os seus resultados muitas vezes dão razão a essa turba ignara. Ou apenas impaciente.

Está difícil, Fernando. Seus meninos não sabem o que fazer comigo. São meninos. Ou não são aquilo tudo. Fica difícil.

Eu sei que às vezes sou madrasta com você. Má. Você tem razão quando diz que seu trabalho é me deixar mais perto da casinha do rival do que da sua própria. Tem toda lógica. Mas não tá rolando… Não tem química. Física. DNA. Sei lá.

Tá difícil. Tá insustentável.

Eu preciso me amar primeiro pra depois te amar.

Não muda muito, não, Fernando. O mundo tá precisando de gente que pense e aja como você. Porque haja gente que só quer saber dos finalmentes! Ninguém me trata com o seu carinho e consideração.

Mas ainda está faltando alguma coisa, Fernando. Se eu soubesse o que é eu seria a primeira a te dizer.

Só sei que você precisa me esquecer um pouquinho agora. Pro seu próprio bem.

Mas não desista. O mundo precisa de gente como você.

Da sua eterna.