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Alex e os nomes

Alex não deveria ser Muralha. Como Wilson que era atacante do Corinthians não deveria ser Wilshow. Como todos os artilheiros que acabam em Gol deveriam evitar a alcunha. Porque sobra pra eles.

A não ser que você segure a bomba como Dinamite que era Roberto, ganhou o apelido numa manchete de 1971, e hoje é mais Dinamite que Roberto. Por ser o artilheiro histórico do Vasco e do Brasileirão desde 1971.

A imprensa é cruel. A torcida, crudelíssima. Muralha até hoje paga por ter sido chamado por Tite para a Seleção. E por não ter defendido pênaltis na final da Copa do Brasil em 2017.

Caso raro. Único goleiro cobrado porque não defendeu pênaltis na história.

Sim. Também cobrado além da conta porque decidiu pular em todos as cobranças no mesmo canto. Estratégia que deu errado.

Mas era para ser escorraçado com foi?

Eu não o teria levado para a Seleção. Eu não o teria chamado de Muralha. Eu, se fosse Alex, pediria em toda entrevista para ser Alex. Não Muralha.

Só que ele deve ser sempre lembrado por isso? Pela pretensão que ele não teve? Pelo apelido que exigiu mais dele e seria demais até pra Buffon?

Alex está respondendo como deve. Pela bola. Não pela boca.

No Coritiba, agora, saiu do banco pelo lesão de Wilson e tem se saído bem. Só sofreu 4 gols em 7 boas partidas. O time conquistou 81% dos pontos com Alex na meta. Não Muralha.

Ele parece ter evoluído. Pode até não voltar à Seleção. Mas merece o respeito que o apelido não deu. Ou cobrou demais.

E merece ainda mais novas oportunidades. Como todos.