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Traz o hexa, Brasil

ESCREVE WILSON JR.

TRAZ O HEXA

Eis o “pedido” de vários amigos quando souberam que eu vinha pra Rússia. Claro que não depende de mim. Depende muito do Tite, do Neymar, do Alisson, dos 11, dos 23. Mas o que muita gente não leva em conta é que não depende só deles.

Existem outras boas seleções – e tão fortes quanto a nossa. Como era a França de 2006, finalista. Como era a Holanda de 2010, finalista. Como era a Alemanha de 2014, campeã.

E esse é meu temor pra 2018. Que um possível e natural resultado adverso coloque abaixo todo trabalho feito por Tite ou toda a qualidade de uma geração. Ou até a admiração pela camisa amarela, como chegoy a acontecer.

O fracasso de quatro anos atrás fez com que a “safra” fosse questionada. Evocavam a memória de tempos não tão remotos em que tínhamos Rivaldo, Ronaldo, Cafu, Roberto Carlos. Como se Neymar, Willian, Marcelo, o cortado Daniel Alves, entre tantos outros, não estivessem entre os melhores do mundo.

Tite chegou pra organizar direitinho. Mas não basta apenas ter bola. E numa Copa nem todo mundo leva. Uma é campeã. Sem sou sete voltam frustradas. Trata-se de probabilidade.

E, se temos sim uma boa seleção, outras como Alemanha, França, Espanha e até a Bélgica não devem nada pra gente em termos de material humano.

Nossa cultura não entende muito isso. “Cé loko, mano, o Brasil deita nesses caras”. Não é loucura. É um pouco de realidade. E muito de futebol.

Por mais que eu não seja o mais ufanista e eufórico torcedor, claro que eu gostaria que o Brasil levasse o caneco. Mas eu, como alguém que gosta muito de futebol, entendo que somos apenas uma das possibilidades. E isso não me faz menos brasileiro, secador ou seja lá o que for.

A Copa começa hoje pra amarelinha. A festa tende a ser grande e dá gosto de ver a paixão do torcedor de volta. Mas precisamos de uma dose de realidade pra euforia não se transformar em revolta no final.

A estreia contra a Suíça não deve ser fácil. E, ainda que aposte no empate, torço por uma vitória apenas apertada – para que o clima de oba-oba não se transforme no nosso maior inimigo e no final a galera não fique “pistola”, como o melhor mascote já criado para uma seleção de futebol.

Reconheço a possibilidade de uma goleada verde e amarela conforme as circunstâncias da partida, e digo: é o pior que nos pode acontecer.

ESCREVEU WILSON JR.