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Não foi ainda, Lionel Pelésson

Não foi ainda, Lionel Pelésson

Em islandês, onde o sobrenome é baseado no nome do pai, o de Lionel Messi seria Lionel Pelésson. Mas ele não foi o Messi necessário. E ele terá que ser ainda mais com essa Argentina indefensável atrás – e nem com Messi defensável à frente.

1º TEMPO – Messi não foi o que é. A Argentina foi. Um time desorganizado defensivamente, mas com gente do meio pra frente que pode desequilibrar num chute como Aguero. Ele pegou um tiro torto de Rojo para mandar no ângulo de Halldorson, aos 18. Mas o que adianta ter Messi flutuando e atraindo 37% da população islandesa na marcação se, quatro minutos depois, a pelota samba de um lado a outro da área co-hermana até o pé de Finnbogason empatar? No final, a Islândia pressionou e chegou com o perigo que o ausente Di María não criou.

2º TEMPO –  o 4-4-2 islandês apertou ainda mais as linhas e, além do melhor de Messi, faltava algo ao discreto Meza e ao sumido Di María. Por isso se fez necessário Banega por Biglia, aos 8. Mas quase nada aconteceu até o pênalti que Messi criou e também perdeu, aos 18. Ele buscou mais o jogo – mas não foi feliz. Pavón entrou aberto com atraso e na primeira bola sofreu pênalti não marcado. No bumba-meu-potro, Higuaín entrou tarde e muito aberto. Não rolou. Normal para uma Argentina com três treinadores e três presidentes da AFA em três anos.

CHANCES DE GOL –  ARGENTINA 6 x 5 primeiro tempo;  Argentina 4 x 0 segundo tempo. TOTAL: 10 x 5.

O LANCE – 30min. Árbitro andando de costas atropela Gunnarson que se lesiona. Mas o jogo segue. E ele voltou a marcar forte pelo admirável time islandês, do país de menor população da história das Copas. 38min. Messi limpa dois e chuta – a bola que bate no braço de Banega…

TÁTICA – Argentina no 4-2-3-1. Ou 4-2-2-Messi-Aguero. O gênio tentou se mexer mais, mas não teve espaço e nem a criatividade usual. Não é marcação homem a homem. É time a homem. É setor asfixiando o homem, negando espaços que nem a dribles a Argentina criou. Islândia se trancou no 4-4-2 com ligação direta muito bem feita e eficiente contra um sistema defensivo mal entrosado e entendido.

BOTA-TEIMA – 41min. Eu não marcaria a bola na mão do zagueiro islandês Sigurdson no cruzamento de Salvio. 5min do segundo tempo, também não marcaria bola na mão mais discutível de Salvio. 17min: pênalti bem marcado em Meza, e mal batido por Messi. 31min; pênalti no Pavón não marcado – ARGENTINA PREJUDICADA.

NOTAS DO JOGO – ARGENTINA 5 X 7 ISLÂNDIA – Jogo nota 6

O NÚMERO – 72% de posse de bola argentina. E?

O CARA – Halldorson, o goleiro que defendeu o pênalti de Messi. E ainda ele. Quis jogo sempre. Flutuou entre os quatro de trás e os quatro da intermediária rival. Criou o lance do pênalti no belo lançamento para Meza. Mas bateu mal. E alguma coisa ainda o prende na Argentina. Não tem explicação. No único lance em que pegou a bola com algum espaço no segundo tempo, aos 27, em raro contragolpe, ele não teve a centelha usual. Estranho. A ponto de, no desespero, chutar de direita uma bola longe. Mais estranho ainda.

O FATO – Messi ainda é o maior jogador que já vi – no Barcelona. Na Argentina, não chega perto de Maradona. E ganha por pouco do campeão mundial de 1978 Kempes.

CHUTE INICIAL – 1 X 1 foi meu palpite no bolão.

NO FRIGIR DAS BOLAS – A Argentina vai se classificar – como se espera. Mas vai sofrer – como se esperna. Islândia terminará invicta na Copa.