A catedral de Notre-Dame foi construída ao longo de 200 anos entre 1163 e 1345. O monumento, listado no Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1991, é o mais visitado de toda a França recebe cerca de 13 milhões de visitantes, mais do que a Torre Eiffel. 

Um marco da arquitetura e do cristianismo, a catedral reservava em sua concepção e interior detalhes agora perdidos da história. Notre-Dame, que significa nossa senhora, completa este ano 856 anos de existência. Com 127 metros de comprimento, 48 metros de largura e 35 metros de altura, a catedral tem capacidade para receber nove mil fiéis. Já passou por guerras e revoluções, como a francesa, em 1789 quando foi bastante destruída, e chegou a virar um depósito de bebidas.

Foi Napoleão Bonaparte quem re-sacralizou a catedral em 1804, para ali ser coroado pelo então Papa Pio VII. A celebração de coroação foi inclusive um marco para os costumes, pois rei e rainha optaram por vestir branco, como símbolo de pureza. A partir dai que as noivas começaram a usar também vestidos brancos.

O incêndio muito provavelmente consumiu o acervo de tesouros da Notre-Dame e ainda um órgão do século XVII ainda em funcionamento que estava dentro das instalações da catedral. Ali ainda existiam pinturas e gravuras relacionadas não só a história da catedral, como da própria cidade de Paris. Como a estrutura estava em obras, 16 estátuas de bronze haviam sido removidas na semana passada, e estão a salvo. Já a suposta coroa de espinhos de Cristo, e os dois cravos que prenderam Cristo ao lenho, adquiridos no século XII por Luis IX, podem ter sido consumidos pelo incêndio. As capelas laterais também reuniam obras doadas pelos fieis. Veja que interessante: em 1º de maio, o sindicato dos trabalhadores fazia suas promessas, pedindo graças, e doava obras assinadas por artistas e financiada pelo sindicato.

A catedral também é palco para o romance Notre-Dame de Paris, ou O Corcunda de Notre-Dame, lançado em 1831, por Victor Hugo. O corcunda habitava a catedral, então em condições precárias. A publicação ajudou a evidenciar o descaso com a catedral, que entre 1844 e 1864 passou por reformas.

Existem diversas particularidades a respeito da construção de Notre-Dame. Toda catedral gótica, estilo surgido na França, precisa estar voltada para oeste, para o por do sol. Ao entrar na catedral, você dá as costas para o pôr do sol, a morte, e anda em direção ao altar, a vida. Os vitrais que retratam passagens bíblicas aos que não sabem ler, eram feitos por alquimistas. Envoltos em mistérios, estes vidros especiais que refletiam luz e cor chegaram a ser retirados e enterrados para não serem destruídos durante, a Segunda Guerra Mundial. Foram reinstalados após o fim da guerra, sendo a maior janela de vidro do mundo produzida no século XIII. Com incêndio, se perdeu.

Em 2018, a Igreja Católica na França lançou um apelo pela mobilização de fundos para salvar a igreja, que estava em risco de desmoronamento. As obras estavam em andamento.

Após o incêndio, a torre pontiaguda e o teto da igreja desmoronaram completamente. A estrutura em pedra se mantém e pode haver restauração, mas muito da história se perde. André Finot, porta-voz da catedral informou que não restará nada da estrutura, que data do século XIX de um lado e do XIII do outro.

Após o incêndio, o presidente da França, Emmanuel Macron lançou uma campanha para levantar fundos para a restauração da Notre-Dame. Magnatas franceses do mercado de luxo se manifestaram com doações que chegam a 300 milhões de euros. O primeiro a se manifestar foi François-Henri Pinault, presidente do conselho e diretor-presidente da Kering, que controla marcas como a Gucci. Ele e seu pai, Francois Pinault, farão uma doação de 100 milhões de euros. A família Arnault, o conglomerado de moda LVMH, também prometeu uma doação de 200 milhões de euros.

Vale a pena conferir a entrevista do professor de História da Arte, João Braga, ao programa Os Pingo Nos Ís.   

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2 thoughts on “Detalhes sobre a importância da catedral de Notre-Dame”

  1. Helen

    Não foi Papa Urbano, foi o Papa Pio VII, além do mais não é confirmado o uso de vestido branco por causa da Josefina, há indícios de que foi Mary Stuart quem iniciou.

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