Um dos orgulhos do pessoal das artes no Brasil, o Museu Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais foi idealizado e construído pelo empresário Bernardo Paz. O local é referência em arte contemporânea e um dos maiores centros de arte ao ar livre da América Latina.

Ontem, foi divulgada pelo Ministério Público a decisão da juíza federal Camila Franco e Silva Velano, que foi tomada em setembro, e que condena o empresário a nove anos e três meses de prisão por lavagem de dinheiro em movimentações financeiras de empresas das quais foi sócio. Também foi condenada Maria Virgínia de Mello Paz, irmã do empresário, por participação no mesmo crime, mas com pena de cinco anos e três meses em regime semiaberto.

A procuradoria investigou a denúncia apresentada em 2013, que sinalizava lavagem de dinheiro, escondendo a origem e a natureza de valores que seriam fruto de sonegação de contribuições previdenciárias, nos anos de 2007 e 2008. Na época, o principal negócio do empresário era o conglomerado Itaminas, composto por 29 empresas, em sua maioria na área de mineração e siderurgia. O grupo foi vendido em 2010, para uma estatal chinesa por US$ 1,2 bilhão, liquidando dívidas dos sócios que somavam US$ 400 milhões.

Nesse mesmo período, ele criou uma outra empresa, a Horizontes, para manter o Instituto Cultural Inhotim. Entre 2007 e 2008, uma das maiores acionista da horizontes, a Vine Hill Financial Corp, empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, recebeu US$ 98,5 milhões de um fundo chamado Flamingo Investment Fund, sediado nas Ilhas Cayman.

Foi exatamente essa movimentação que chamou a atenção do Coaf, que detecta operações irregulares no sistema financeiro. Essa grana teria entrado para a Horizontes num esquema: recebo essa “doação” para o Instituto, mas uso o dinheiro para o que eu bem entender:

“para pagamento dos mais variados compromissos de empresas de propriedade de Bernardo de Mello Paz, tendo sido constatados diversos saques em espécie nas contas do grupo, sem que se pudesse identificar o destino final dos valores”.

A sentença da juíza Camila Velano ainda diz que:

“a conta da Horizontes não visava unicamente à manutenção do Instituto Cultural Inhotim, mas também servia de conta intermediária para diversos repasses às empresas do Grupo Itaminas”

Então, as acusações são de transações irregulares e saques em espécies nas contas do grupo sem a identificação do destino final dos valores.

A defesa de Bernardo de Mello Paz nega as acusações e já recorreu da sentença no Tribunal Regional Federal da Primeira Região, onde espera que a decisão seja revertida e ele, absolvido. O advogado Marcelo Leonardo reforçou que os fatos listados pela Procuradoria não têm relação com o Instituto Inhotim, e dizem respeito a episódios de 2007 e 2008, ligados a empresas de mineração e siderurgia de que Bernardo foi sócio. Não é o que parece.

Em nota publicada pela assessoria do Instituto Inhotim, afirma-se que a instituição é uma organização da sociedade civil de interesse público que não tem ligação com as empresas Bernardo Paz, não respondendo ou participando, portanto, de nenhuma questão de âmbito pessoal que o envolva.

“O Inhotim reforça, por oportuno, que todas as contas da instituição são públicas e que passam por criteriosa prestação junto ao Ministério da Cultura, além de serem submetidas a um rigoroso processo de auditoria realizado pela empresa britânica Ernst & Young, ambos em periodicidade anual”

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