Ontem, Taylor Swift lançou o clipe para a faixa The Man, quarto single do álbum Lover (2019). Depois de dar voz à causa LGBTQ em You Need To Calm Down, A cantora se traveste de homem para personificar o machista tóxico que é exaltado pela sociedade, abre as pernas no carro do metro ocupando dois assentos e vive seu privilégio sem olhar pra trás. Nos versos:

“Estou cansada de correr/O mais rápido que posso/Me perguntando se eu chegaria mais rápido/Se eu fosse um homem (você sabe que sim)”

Diversas situações de diferença no tratamento de situações parecidas para homens e mulheres são objeto de cutucadas da cantora. Não é de hoje que Taylorzinha saiu da posição de isentona. Depois de 2012, quando disse que não entendia o feminismo, a cantora foi mudando para postura completamente diferente, se aliando a outras mulheres fortes da música, desmistificando a rivalidade do a ex rival Katy Perry e mirando em causas que lhe eram caras. Lembrem-se que em 2017 ela entrou com um processo contra um radialistas que a apalpou quando tiravam uma foto juntos. A cantora venceu a causa, e pediu que o homem lhe pagasse US$ 1, para marcar a vitória moral.

“Reconheço o privilégio que tenho na vida, na sociedade e por poder suportar o enorme custo de me defender em um julgamento como este. A minha esperança é ajudar as pessoas cujas vozes também devem ser ouvidas. Assim, futuramente farei doações a várias organizações que ajudem as vítimas de abuso sexual a se defender”

No documentário Miss Americana, da Netflix, Taylor explica o desejo de se envolver em causas que acredita e critica até mesmo a candidata republicana ao Senado por seu estado , o Tennessee. Marsha Blackburn, votou contra legislações que endureciam penas para agressores domésticos e é contra o casamento gay.

No clipe de The Man, ela aponta o dedo, na forma de easter eggs, para homens que tentaram prejudicar sua carreira. Em uma das cenas, em uma parede pichada, existe uma placa que proíbe patinetes. A questão é que a palavra que designa patinete é basicamente o primeiro nome do empresário Scooter Braun, envolvido na briga histórica da cantora com Kanye West, e que em 2019, como vingancinha, comprou os direitos dos primeiros álbuns da cantora. Ao lado, uma placa diz “Se encontrado, retorne para Taylor Swift”.

Outro episódio que etá nas entrelinhas do clipe é a briga com Scott Borchetta, fundador da Big Machine Label Group, que foi exatamente quem vendeu os direitos da música da cantora para Braun, além de restringir quando ela poderia interpretar as próprias faixas. Em cena dentro de um vagão do metro, pode-se ver um cartaz dizendo “Bo$$ Scotch“. Ali também se lê a frase “lucre com sentimentos”, e sabe-se bem que as letras da cantora sempre foram resultado de vivências sentimentais da cantora, que acabaram rendendo grana para outros que tentaram a prejudicar. Na época a cantora disse:

“Quando eu deixei o meu trabalho nas mãos do Scott, eu fiz paz com o fato de que, eventualmente, ele o venderia. Nunca, nos meus piores pesadelos, eu imaginei que o comprador seria Scooter. Sempre que Scott Borchetta ouviu as palavras ‘Scooter Braun’ saírem dos meus lábios, foi quando eu estava ou chorando, ou tentando não chorar. Ele sabia o que ele estava fazendo; os dois sabiam. Controlar uma mulher que não queria ser associada a eles. Perpetuamente. Isso significa para sempre”.

The Man também fala de Leonardo DiCaprio, que é aplaudido por desfilar com suas modelos novinhas e que nas imagens aparece em cena que lembra O Lobo de Wall Street, produção na qual o ator é protagonista. Quando é sobre Taylor, os relacionamentos não resultam em aplausos, mas em especulações e cutucadas maldosas.

O clipe ainda tem cenas de um jogo de tênis, que faz referência ao episódio em que Serena Williams foi criticada por sua reação na partida final feminina do Aberto dos Estados Unidos, em setembro de 2018. A jogadora discutiu com o árbitro José Miguel Fernandes, o que foi mal visto. No mundo dos gêneros, de dois pessoas e duas medidas, o The Man tem repercussão diferente por cometer o mesmo ato.

“Se eu fosse um homem, talvez eu fosse o cara. ”

“if I was a man/ than I’d be the man”.

O pai de Instagram também está no clipe, lindão fazendo sucesso no parquinho, vaidoso e dando mais atenção ao celular do que à filha. Os caras da porradaria no bar, do clube de stripper, do casamento celebrado com a gatinha novinha. Antes de fechar o clipe, a cena do jogo de tênias se mostra ser uma produção, Taylor troca uma ideia com o ator/jogador e pede para que ele repita a cena sendo mais “sexy e adorável” da próxima vez. Na cola, elogia outra mulher. A produção foi dirigida, escrita, estrelada e é de Taylor Swift.

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