Além do documentário anunciado ontem no Fantástico, foi anunciado que a Globoplay vai produzir uma série de ficção sobre a vida e o assassinato de Marielle Franco. Criada por Antonia Pellegrino, sabe-se agora que a série será dirigida por José Padilha.

Uma das críticas diz respeita a falta de negros nas posições importantes da produção: direção e roteiro, assinado por George Moura. Negra e feminista, Marielle foi militante por políticas de inclusão racial e social.

Outra questão foi a questão de Padilha ser visto por muitos como uma pessoa de direita, que na série “O Mecanismo” (Netflix, 2018), exalta
a operação Lava Jato e o juiz Sérgio Moro.

Em conversa com Antonia Pellegrino, Maurício Stycer verificou que a família de Marielle e sua viúva Benício apoiam o projeto. Lembrou que é dela o artigo da Folha que classifica “O Mecanismo” como “um panfleto fascista”, e diz que não mudou de opinião sobre isso.

Como informação, também é importante lembrar que Padilha se arrependeu do tratamento que deu a Moro na série. E que também em um artigo para a Folha, escreveu:

“O leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de ‘samurai ronin’, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, >quero reconhecer o erro que cometi.”

Antonia declara então:

“Sou progressista e não-punitivista. Ele se arrependeu. As pessoas erram. E não acho que seja um erro suficiente para a gente cancelar uma pessoa”.

Outra justificativa seria a questão de segurança:

“A morte de Marielle envolve milícias”

“Este não é um projeto de série que você pode dar para qualquer pessoa. Falei com alguns produtores que não quiseram fazer”

“Existem riscos para quem está envolvido na realização deste projeto que as pessoas às vezes não conseguem dimensionar. Até porque elas não têm a obrigação de conhecer este tipo de universo por onde a morte da Marielle transita”

“Padilha, por não morar mais no Brasil, tem mais segurança para fazer.”

Antonia diz que pensou em duas frentes para alavancar o projeto:

“E quem é capaz de fazer isso no Brasil? Só o Padilha e o Rodrigo Teixeira”, diz.

Teixeira não entrou, e depois de conversar com muita gente no mercado, ela decidiu por Padilha. Diz que pensou em ter um diretor negro no projeto, mas disse:

“Se tivesse um Spike Lee, uma Ava DuVernay…”

“Mas asseguro que vai ter muitos profissionais negros envolvidos na série”.

Essa colocação também gerou repercussão. Antonia Pellegrino foi então ao Instagram e se explicou:

“Sobre a frase infeliz: ‘No Brasil não tem um Spike Lee’. O fato de não haver um Spike Lee no Brasil fala sobre o nosso racismo estrutural, e não sobre supremacia branca. Não tem uma Ava DuVernay no Brasil não porque não existam diretoras negras talentosas. Mas porque existe sim racismo estrutural. Abrir espaço para diretores, roteiristas, profissionais negros é um compromisso público que fizemos. E o julgamento de estarmos comprometidos em reproduzir racismo é muito precipitado.”

A série ainda não tem título e tem previsão de ter duas temporadas, a primeira lançada em 2021. A negociação para a produção iniciou com outro player, mas depois foi parar nas mãos da Globo, que no ponto de vista dos envolvidos, além de entregar mais dinheiro, também garantiria uma melhor distribuição no Brasil. Padilha declarou:

“A série será ficcional, como os dois ‘Tropa de Elite’ foram ficcionais. Mas baseada em uma história real e na vida de Marielle Franco, e em tudo o que ela representa”

Coronavírus: situação no Brasil e Zona Vermelha na Itália O que será de Ronaldinho Gaúcho e seu cover?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.