Salma Hayek é um nome importante da industria do cinema, pois como mexicana naturalizada, se colocou no mercado não apenas como atriz, mas como produtora de conteúdo. Mulher e latina, sempre defendeu seus direitos e é sempre muito aplaudida e festejada por isso. Entende-se aqui a importância de seu relato ao The New York Times, em que narra com detalhes os acontecimentos que pontuaram a produção de um de seus principais filmes, Frida (2002).

A produção recebeu 6 indicações ao Oscar ( melhor atriz, melhor direção de arte, melhor figurino e melhor canção original) levando dois prêmios pra casa, inclusive o de melhor atriz, para Salma. Mas a história terrível do processo de produção do filme veio a tona agora. A produtora da produção foi a Miramax, de Harvey Weinstein. Salma Hayek achava estar vivendo o sonho de levar uma história que lhe era cara ao cinemas, e na verdade estava apenas comprando sua entrada para o inferno, agora já relatado por outras vítimas. A pressão foi tamanha, que Salma acredita que só não foi estuprada por ser amiga da então esposa do produtor, Elizabeth Avellan e de outros influentes como o diretor Robert Rodriguez, Quentin Tarantino e George Clooney.

“Não para tomar banho com ele. Não para deixá-lo ver-me a tomar banho. Não para deixá-lo fazer-me uma massagem. Não para deixar um amigo dele nu fazer-me uma massagem. Não para deixá-lo fazer-me sexo oral. Não para ficar nua ao lado de outra mulher. Não, não, não, não, não…”

Depois de muitas negativas, Weinstein ativou o modo ódio e passou a tentar boicotar o filme com demandas quase impossíveis, que incluíam reescrever o roteiro sem nenhum pagamento, conseguir atores famosos para os papeis (Antonio Banderas, Edward Norton, Ashley Judd e Geoffrey Rush) , levantar 10 milhões de dólares para prosseguir com a produção e um diretor de peso (Julie Taymor). Chegou a ameaçar tirar a atriz do papel. No artigo, Salma explica que conseguiu todos os itens, e que mesmo assim o produtor não largou mão de importunar e pressionar. Dizia que o forte dela era o sex appeal, e que a “monosselha” da personagem não ajudava em nada. Weinstein insistia que tivesse uma cena de nu, de sexo entre duas mulheres, e brigou tanto por isso que a cena foi realizada. Salma teve um ataque nervoso no dia da gravação.

“Não por ficar nua com outra mulher, mas porque precisava estar nua com outra mulher por Harvey Weinstein”

E quando você pensa que o inferno terminou, vem ainda o boicote no lançamento do filme. Weinstein se recusava a lançar a produção nos cinemas, dizendo que não tinha ficado bom e que iria direto para DVD. Por insistência da diretora e da atriz e produtora, foram realizadas sessões testes e o filme foi bem avaliado, o que acabou abrindo espaço para o lançamento da produção nos cinemas. Frida foi um sucesso de bilheteria, e como falado anteriormente, levou dois Oscars pra casa.

Salma teve que encontrar o produtor em diversas outras ocasiões, e era o tempo desestabilizada pela forma como era tratada:

“As táticas de persuasão passavam de falar de forma querida comigo, a um ataque de fúria, e palavras terríveis, “Vou te matar, não pense que não posso fazê-lo”

Outros episódios estão no relato da atriz, que conta que certa vez foi removida a força de um evento em homenagem à Frida, para participar de um festa de Weinstein, com meninas que ela mais tarde descobriu serem prostitutas. Salma Hayek também detalha seu acordo com a Miramax, que não remunerou com um centavo por seu trabalho como produtora, lhe pagou o mínimo como atriz ( mais porcentagem da bilheteria)  e lhe amarrou a outros filmes nos quais ela esperava papéis de protagonista, e teve apenas oportunidades de coadjuvante, mesmo tendo recebido um Oscar.

“Aos olhos dele, eu não era uma artista. Não era sequer uma pessoa. Era uma coisa: não era ninguém, mas um corpo”

Toda a terrível narrativa vem a tona depois de mais de 10 anos de silêncio, nos quais Salma percebe que não só tentou lidar com essa bagagem pesada, mas se isentou de enfrentar esse fantasma e detalhar as atrocidades para aqueles que ela ama.

“Fiz uma lavagem cerebral a mim própria para pensar que tinha acabado e que tinha sobrevivido. Escondi-me da responsabilidade de falar com a desculpa de que já havia pessoas suficientes envolvidas. Não considerei que a minha voz fosse importante, nem que faria a diferença”

“Talvez tivesse sido um efeito de todas as vezes que me disseram, especialmente Harvey, que eu não era ninguém”

O mais maluco é que mesmo assim, Salma procurou por muito tempo o reconhecimento de que ela era sim uma grande artista por parte do crápula. e entre os diversos encontros que teve com ele depois, lembra de uma ocasião em que, em um evento, Harvey a puxou disse que se apaixonou por outra mulher ( sua segunda esposa), que tinha parado de fumar, passado por ataque do coração e era um homem mudado. coisa que sabemos não ser verdade. Ele disse:

“Você foi ótima em Frida. Fizemos um filme bonito.”

Outras atrizes de Hollywood denunciaram casos semelhantes com o produtor: Angelina Jolie, Cara Delevingne, Rose McGowan e Gwyneth Paltrow são apenas algumas entre  cerca de vinte mulheres que dizem ter sido assediadas por Weinstein.

 

 

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VOCÊ INDICA, EU COMENTO: Dark Cineminha? Star Wars, Star Wars e Star Wars ( mentira! Também tem o cara que inventou a Mulher Maravilha e Cora Coralina)

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