A Exposição Tarsila Popular reuniu cerca de 92 trabalhos de Tarsila do Amaral, e fechou ontem, 28 de julho, no Masp, em São Paulo, com uma marca impressionante:  mais de 350 mil visitantes, o maior público dos últimos 20 anos do museu.

No último dia da exposição, o horário de funcionamento do museu foi estendido e o Masp ficou aberto das 10 horas da manhã até a meia noite. As filas eram imensas. Mesmo assim, a prorrogação da exposição é considerada impossível, pois para compor a mostra foram emprestadas obras de colecionadores e instituições no Brasil, na França, Argentina, Rússia e Espanha. Claro que essas negociações são complexas e a logística para se estender os prazos é impossível.

A mostra fez parte do eixo temático Histórias das mulheres, histórias feministas, do qual também fazem parte as mostras sobre Djanira da Motta e Silva (1914-1979) e a respeito do trabalho da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992). Ao mesmo tempo, a exposição compôs a série que o museu organiza reconsiderando a noção de “popular”, com mostras anteriores que revisitaram Portinari, em 2016, Agostinho Batista de Freitas, em 2017, e Maria Auxiliadora, em 2018.

“Em Tarsila, o popular se manifesta através das paisagens do interior ou do subúrbio, da fazenda ou da favela, povoadas por indígenas ou negros, personagens de lendas e mitos, repletas de animais e plantas, reais ou fantásticos.”

“A paleta de Tarsila também é popular: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante”.

Em Tarsila Popular estavam reunidos 40 desenhos e 50 pinturas produzidos entre 1921 e 1969. A exposição juntou obras importantes da trajetória da artista como Abaporu (1928), Antropofagia (1929) e Operários (1955). A proposta da mostra curada por Fernando Oliva foi de refletir sobre os trabalhos da artista, inclusive conduzindo os visitantes através de 40 textos de uma série de historiadores e pensadores contemporâneos distribuídos pela exposição.

O Abaporu, obra mais conhecida de Tarsila, e  que faz parte do acervo do Malba, em Buenos Aires, estava no segmento final da exibição. A organização das obras não obedecia ordem cronológica, mas blocos temáticos. Começava por retratos, passava pelos nus, viagens, religião, pinturas sobre o povo brasileiro e finalmente fechando com o período antropofagista.

Para quem não se lembra o porquê da relevância do Abaporu (aba = homem; poru = que come), uma pequena história: Tarsila presenteou seu então marido, o escritor Oswald de Andrade, com a obra. Foi a reflexão a respeito do quadro, que o levou a escreveu o Manifesto Antropófago, marco no Modernismo brasileiro. Ele dizia que “só a antropofagia nos une”, propondo “deglutir” o legado cultural europeu e “digeri-lo” sob a forma de uma arte tipicamente brasileira.

Tarsila do Amaral nasceu em São Paulo, em 1886. De família rica, estudou música e belas artes e mudou para Paris em 1920, onde pode de aperfeiçoar nos estudos e conhecer personagens importantes do meio artístico.

RELEMBRE

Recentemente, o Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York, anunciou a compra da pintura A Lua, de Tarsila do Amaral. O valor? Algo em torno de 20 milhões de dólares. Em comunicado, o museu celebrou a chegada da obra da artista brasileira descrita assim:

“Figura de fundação para a arte moderna no Brasil e uma protagonista central nos intercâmbios transatlânticos e culturais deste movimento.”

Quem roubou esse ouro todo? Polícia prende suspeito Juri conclui que Katy Perry plagiou sim

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.