Foi o Paquistão, o primeiro país a colocar como âncora de um telejornal uma mulher transgênero. Na última sexta, Marvia Malik fez sua estreia no canal privado Kohinoor News. Aos 21 anos, formada jornalista pela Punjab University, se preparou por 3 meses para sua estreia como âncora.

Em entrevista à CNN, Marvia contou que não é aceita pela família, e que desde os 15 anos batalha sozinha por suas conquistas:

“Eu quero mostra ao país que somos mais que objetos de chacota… que somos seres humanos”

Na matéria da CNN, também foi entrevistado o diretor do canal, Bilal Ashraf que falou sobre o dia do teste, quando não percebeu que ela era transgênero e também optou por não discriminar:

“Nós não vamos discriminar, todo mundo tem sonhos e objetivos”

Apesar de uma decisão rara no mundo islâmico, tomada em 2011 pela Corte Suprema do Paquistão, que ordenava se criar um novo gênero nos documentos de identidade para oficializar a discriminada comunidade transexual, o preconceito ainda castiga transexuais que muitas vezes rejeitados por suas famílias, acabam nas ruas, pedindo esmolas e ligados a marginalidade.

Em junho de 2016, uma ativista transgênero de 23 anos morreu após atraso no recebimento de tratamento médico. O relato de amigos diz que depois de baleada oito vezes (assassinada por um grupo conservador da província de Khyber Pakhtunkhwa), Alisha foi levada para o hospital em estado crítico, ela foi internada no hospital, mas faleceu pois a equipe médica não soube decidir se a colocaria em uma enfermaria masculina ou feminina.

Ano passado, o levantamento do censo no Paquistão registrou pela primeira vez a população transgênero do país, em quase 200 milhões de habitantes, 10 mil são transgênero. Já no início deste mês, o Senado do Paquistão votou a favor de um projeto de lei que protege os direitos de transexuais, permitindo inclusive que determinem sua própria identidade de gênero no documento de identidade. O projeto de lei inclui também a possibilidade de se herdar propriedades e não ser discriminados se buscarem um assento em cargos públicos.

 

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