Pelo menos é esse o comportamento de muitos mal intencionados que, claro, não estiveram no Festival de Berlim, não viram Marighella, mas foram correndo para sites de avaliação para destruir a produção. O primeiro filme dirigido por Wagner Moura sofreu com uma falsa chuva de impopularidade com milhares de comentários no site IMDb.

O internacional Movies Data Base é uma das principais plataformas que reúne informações sobre produções cinematográficas, juntando à isso críticas especializada e amadora. O próprio site identificou a movimentação estranha em relação aos depoimentos sobre o filme ainda inédito em circuito comercial e apagou as resenhas falsas. Foram mais de mil críticas em menos de três dias, e mais de 26 mil interações que resultaram em nota 2,8 para a produção.

Outro site que mapeia a crítica especializada, misturando à isso o comentário de usuários amadores também conta com comentários sobre Marighella de gente que muito provavelmente não viu o filme. No Rotten Tomatoes lê-se que o filme é “propaganda comunista”, “tudo é mentira”, “terrorista mostrado como herói”, “brasileiros não toleram terroristas”, “exalta bandido a custa de impostos dos brasileiros” e tal.

No fluxo de críticas oficiais da imprensa americana, Marighella é analisado de form positiva.

“Uma vez que você aceita sua visão de mundo binária dos eu e eles, Marighella funciona bem como uma estreia empolgante e altamente segura, com um incrível elenco em seu coração.”

“Crédito para o ator que virou diretor por ter pensado grande em seu primeiro projeto de direção, mas em busca do quadro maior, muitos dos meandros menores se perdem. ”

“Marighella é um filme urgente em seu compromisso e intensidade cinematográfica, e dificilmente poderia ser mais oportuno.”

Eu não o filme, não tenho nenhuma opinião sobre. Mas gosto de como Wagner respondeu à um questionamento em sua sabatina em Berlim:

Você disse em uma entrevista que espera críticas tanto da direita quanto da esquerda. 

Wagner Moura: Bom, os de direita vão criticar por razões óbvias. E os de esquerda… A esquerda é chata, não é? Eu sou de esquerda e sei que nós somos difíceis. Esse filme é um longa-metragem de ficção e ele tem que funcionar como ficção, esse era o meu objetivo, porque já existem muitos documentários sobre Marighella.

Eu levei a sério, estudei muito para fazer esse filme. Não tem uma palavra dita pelos personagens que eu não acredite que eles diriam, mas existem situações, lugares que não ocorreram. Tinha que funcionar como ficção, não é documentário.

Então, provavelmente as pessoas de esquerda vão assistir ao filme dizer: “Ah, isso não aconteceu”. Tudo bem, não aconteceu. Por isso mesmo, eu queria que os personagens fossem únicos, não representam cada pessoa específica da História. Não queria o público fosse ao cinema para aprender fatos e datas, isso é chato.

Roberto Carlos de rosa e a favor das armas. BTS no Brasil em maio?

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