Neste domingo, um anúncio de página inteira no The Washington Post chamou a atenção. Em destaque 10 milhões de dólares e Donald J. Trump, no conteúdo o pedido de Larry Flynt, dono da revista pornô Hustler, por “informações que levem ao impeachment e a destituição” do presidente dos Estados Unidos. Em troca, U$ 10 milhões de dólares.

Em 2016, Flynt ofereceu U$1 milhão por gravações de Donald Trump em que o então candidato republicano pronunciasse palavras “degradantes” sobre as mulheres e com as quais incorreria em conduta “ilegal”.

Larry Flynt foi apoiador de Hillary Clinton na eleição de 2016, e não é de hoje que polemiza pedindo informações em anúncios de jornal em troca de grana. Em 1998, derrubou o presidente eleito da Câmara, deputado Bob Livingston com a mesma estratégia. Flynt colocou um anúncio de página inteira no jornal The Washington Post oferecendo “até US$ 1 milhão” para quem apresentasse provas de adultério contra membros do Congresso e autoridades do governo. Diz que mais de 2 mil pessoas atenderam ao chamado, sendo que quatro mulheres ofereceram provas de ter tido relações com Livingston. Larry Flynt se tornou assim, uma arma poderosa na trincheira de Bill Clinton, que estava no olho do furacão por seus casos extra conjugais, em especial com Monica Lewinsky. Na semana em que a Câmara votaria o impeachment, Flynt disparou:

“Livingston disse que, ao contrário de Clinton e Monica, nenhuma das mulheres trabalhava para ele. Não é verdade. Nós temos as provas.”

Detalhes das denúncias não foram revelados a pedido da mulher de Livingston, que falou com Flynt, já satisfeito com a renúncia.

Agora voltando à proposta atual. Dos U$ 10 milhões por infos que levem ao impeachment de Trump, Flynt enumera supostas irregularidades durante a eleição, e aponta:

“Há provas sólidas de que a última eleição foi ilegítima de muitas maneiras e que, após nove meses tumultuados no cargo, Trump demonstrou ser perigosamente inapto”

 

Entre outras razões para a apresentação de um processo de impeachment contra Trump, ele cita a relação com a Rússia e a demissão de James Comey, então diretor do FBI e que conduzia as investigações sobre Trump e Putin. Ele também aponta conflito de interesses, já que o presidente também é empresário, o fato dele dizer “centenas” de mentiras, e ainda “nepotismo” e designação de pessoas não qualificadas para postos oficiais e “sabotar” o Acordo de Paris contra as mudanças climáticas… e por ai vai.

Já existe alguma possibilidade real para isso? As revelações de seus laços com a Rússia, por exemplo, seguem sendo investigadas por Robert Mueller, um fiscal especial que determinará se Trump cometeu ou não um crime de obstrução de justiça ao despedir James Comey.

De acordo com a Constituição norte-americana, existe a possibilidade de impeachment de um presidente, que pode acontecer impulsionada por casos de “traição, suborno, altos crimes ou falhas”. A Câmara dos Representantes deve aprovar por maioria a destituição e o Senado deve apoiar a decisão com pelo menos dois terços do plenário.

Na história americana, existiram apenas dois processos de impeachment contra um presidente, os democratas Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998. Em ambos os casos a votação não avançou no Senado. Em 1974, o Congresso também intencionou destituir Richard Nixon, mas ele renunciou antes em decorrência do escândalo Watergate.

Quer saber mais sobre Larry Flynt? Veja o filme O Povo Contra Larry Flynt:

Você pode ler também seu livro Sex, Lies and Politics: The Naked Truth , de 2005.

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