Tive a oportunidade de assistir ao brilhante lha das Flores, de Jorge Furtado na escola. O filme, lançado em 1989, levou o Urso de Prata do 40º Festival de Berlim, em 1990, e agora foi eleito o melhor curta-metragem brasileiro de todos os tempos.

A votação promovida pela Abraccine envolveu críticos, professores e pesquisadores de todo o país. A iniciativa da Associação Brasileira de Críticos de Cinema servirá de base para um livro realizado em parceria com o Canal Brasil e a Editora Letramento. A produção gaúcha foi reconhecida a melhor entre outros 100 títulos lançados desde 1913 até o ano de 2018.

Ilha das Flores, filme de 13 minutos, estreou no Festival de Gramado de 1989 causando impacto. O projeto nasceu do convite da Universidade Federal do Rio Grande do Sul para que o cineasta fizesse um vídeo sobre o tratamento do lixo. Em suas pesquisas, Jorge Furtado descobriu o lixão de Porto Alegre que dá nome ao filme. Em visita, a constatação triste:

“Uma fila de pessoas esperando que os porcos se alimentassem do lixo, para então terem sua vez”

A lógica perversa de um sistema é explicada de forma frenética e irônica, partindo de um tomate e construindo todo um raciocínio através de filmagens, material de arquivo, colagens, animações, desenhos e a marcante narrativa off ( realizada por Paulo José), parodiando os documentários didáticos.

O tomate é comprado pela dona de casa (q eu vende perfume, que vem das flores). Meio zoado para compor o molho que cobriria o porco servido pela mulher, o tomate vai para o lixo e acaba na Ilha das Flores. Ali, o dono dos porcos o recusa, e então no elo final da cadeia alimentar, enfim o tomate plantado pelo agricultor japonês serve seu propósito: serve de alimento aos moradores que circundas o lixão, depois de recusado para servir de alimento para os porcos.

Sobre o livro Curta Brasileiro – 100 Filmes Essenciais sabemos que será organizado por Gabriel Carneiro e Paulo Henrique Silva, sendo lançado no segundo semestre de 2019. Terá ensaios dedicados a cada um dos 100 títulos, escritos por autores diferentes ligados à crítica e à pesquisa de cinema. ainda no conteúdo, 20 artigos sobre a história do curta-metragem no Brasil. a publicação encerra a coleção 100 Melhores Filmes, formada por 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016), Documentário Brasileiro – 100 Filmes Essenciais (2017) e Animação Brasileira – 100 Filmes Essenciais (2018), produzidos em conjunto por Abraccine, Canal Brasil e Editora Letramento.

O segundo lugar ficou para Di (1977), de Glauber Rocha, ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes. A lista segue com Blábláblá (1968), de Andrea Tonacci, A Velha a Fiar (1964), de Humberto Mauro, e Couro de Gato (1962), de Joaquim Pedro de Andrade ( este com mais 4 filmes selecionados entre os 25 primeiros colocados: Vereda Tropical, O Poeta do Castelo, Brasília e Contradições de uma Cidade Nova)

O cineasta Aloysio Raulino conta com cinco filmes na lista: O Porto de Santos, O Tigre e a Gazela, Jardim Nova Bahia, Lacrimosa, além de codirigir Teremos Infância.

 

 

 

 

 

Tiago Iorc voltou Sergio Moro X Gregorio Duvivier

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.