War Machine é estrelado por Brad Pitt, Emory Cohen, Topher Grace, Tilda Swinton e Sir Ben Kingsley. O filme é do diretor David Michôd (Reino Animal), que também assina o roteiro baseado no livro The Operators: The Wild And Terrifying Inside Story of America’s War in Afghanistan, do jornalista Michael Hastings. Misturando realidade e paródia, com pitadas de humor negro, a produção retrata a ascensão e queda de um general americano que em um relato da confiante marcha de um líder rumo à total insensatez. Brad Pitt é quem interpreta o general de quatro estrelas que alcançou a fama ao liderar as forças da OTAN no Afeganistão, para depois cair em desgraça pelas mãos de um jornalista determinado a publicar a verdade.

A estreia mundial acontece hoje, então taca o play. E observe. Muitos filmes estrelados vem sendo lançados pela empresa, que não recebe aquele tal retorno financeiro de bilheteria, e que estabelece a cada vez mais o financiamento pelos produtores de fato, e não no retorno de bilheteria

Mas a pergunta que fica é a seguinte. Muitos filmes estreando na Netflix, e alguns como The Meyerowitz Stories, super elogiado em Cannes, já sendo especulados para render indicações ao Oscar ( no caso, uma indicação para Adam Sandler).  Agora, pode um filme que abriu na Netflix, ser indicado para a premiação? Vamos relembrar o que aconteceu com o primeiro Netflix para o cinema, o ótimo Beasts of No Nation.

O filme estreou em 29 salas de cinema nos EUA, ao mesmo tempo em que ficou disponibilizado na Netflix. Isso já foi bem estranho, já que até então, havia uma janela de pelo menos 90 dias entre o lançamento nos cinemas e a chegada em qualquer outro meio de distribuição (DVD e TV). O filme foi protagonizado por Idris Elba e dirigido por Cary Fukunaga (True Detective), e conseguiu alguns prêmios, como o de melhor ator e laureado pelo Sindicato dos Atores e pela premiação do cinema independente o Spirit Awards. Idris recebeu ainda indicação ao BAFTA e ao Globo de Ouro. Nada no Oscar.

E mais. O filme foi lançado em um número bastante reduzido de salas, e algumas das grandes redes de cinema chegaram a recusar a exibição do filme como forma de protesto, por acreditar que a Netflix não respeitou a história dos 90 dias de exclusividade, desmotivando a galera a ir ao cinema.

Este ano,  entre os escolhidos para o Festival de Cannes, dois títulos causaram polêmica. Ambas as produções produzidas pela Netflix: Okja, de Bong Joon-Ho (Expresso do Amanhã), e The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach. Acontece que estes filmes foram lançados em streaming, e não em salas de cinema, o que estaria fora do regulamento do Festival. Para este ano ano, a organização manteve os filmes em competição, mas já determinou regras claras para o festival do ano que vem.

Teoricamente quem entra na disputa? Longas que entrem em cartaz em um cinema comercial no condado de Los Angeles a partir do dia 31 de dezembro, e fiquem disponíveis, no mínimo, por sete dias. O filme deve ter mais de 40 minutos e deve ter sido exibido em cópias de 35 ou 70 milímetros, ou em um formato digital equivalente.

Filmes que tiveram sua primeira exibição pública ou distribuição de qualquer maneira que não um lançamento em cinemas não estão elegíveis para as escolhas da Academia de Los Angeles em qualquer categoria.

Ao que pude apurar, o filme de Brad Pitt tem sim sessões marcadas para acontecer em alguns poucos cinemas nos Estados Unidos. Já a novidade elogiada de Adam Sandler, ainda não tem data de lançamento anunciada pela Netflix.

Um outro ponto a ser considerado. Vejam como a Amazon tem feito. Laça seus filmes sim no cinema, e inclusive leva prêmios pra casa. Manchester À Beira Mar, de Kenneth Lonergan, levou Oscar de melhor ator e roteiro original, além de outros prêmios. Somado a isso, ainda rolou arrecadação de bilheteria. Por enquanto, a Netflix está abrindo mão de receber essa grana… Pode reconsiderar em algum outro momento. Mas por outro lado, a empresa aposta nas ideias de cineastas e realmente fomenta o cinema independente, tirando das costas dos criativos a obrigatoriedade de “trazer o dinheiro de volta”, além de, nesse formato de lançamento, reduzir os custos com toda a estratégia de divulgação.

Segue o jogo. A gente acompanha.

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