Muita gente com sono esta manhã depois de acompanhar a maratona de prêmios do Globo de Ouro. A 77ª edição do evento promovido pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood guardou algumas surpresas e reconheceu os melhores do cinema e das séries. Era uma Vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino, recebeu três estatuetas, incluindo melhor filme – comédia ou musical. Já na versão drama, do principal prêmio da noite, 1917 levou e também fez de Sam Mendes o Melhor Diretor. São também dele produções como Beleza Americana (Oscar em 2000), Estrada para Perdição, 007 – Operação Skyfall e 007 Contra Spectre.

“Não existe um diretor no mundo que não esteja nas sombras de Martin Scorsese.”

Muitos apostavam em outros concorrentes, como O irlandês, Coringa ou até mesmo Dois Papas. 1917 é um filme que poucos viram, pois ainda é inédito no circuito comercial brasileiro. A estreia por aqui acontece em 20 de fevereiro. A produção trata da história de dois soldados britânicos em um momento crítico da Primeira Guerra. Eles devem cruzar o território inimigo para entregar uma mensagem que salvará centenas de vidas. Outro detalhe interessante é como 1917 foi filmado,  de forma a parecer ter sido em um único plano-sequência, sem cortes.

Coringa venceu em trilha sonora e confirmou o prêmio de melhor ator em drama para Joaquin Phoenix. Na categoria ator comédia – musical, venceu  Taron Egerton, de Rocketman, filme que também premiou com melhor música a dupla Elton John e Bernie Taupin, que venceu um prêmio pela primeira vez após 52 anos de parceria.

Como melhor atriz em filme drama venceu Renée Zellweger  por Judy: Além do Arco-Íris , cinebiografia de Judy Garland que estreia no Brasil em 30 de janeiro. Awkwafina levou por The Farewell, sendo a primeira asiática a ganhar o Globo de Ouro de Melhor Atriz por Comédia.

Na categoria melhor filme estrangeiro, se confirmou o favoritismo do sul coreano Parasita.  O diretor Bong Joon Ho aproveito para jogar uma verdade, principalmente no que diz respeito ao mercado americano, avesso à legenda:

“Quando vocês superarem as barreiras de filmes com legendas, conhecerão muitos filmes incríveis”

“Eu acho que todos nós usamos apenas uma linguagem: o cinema”.

Netflix ficou, de certa forma, chupando o dedo. Tinha 5 indicações para O irlandês, e não levou nada… Eram 6 as indicações para História de um casamento, e apenas Laura Dern levou como atriz coadjuvante.

Entre as séries, o drama Sucession, da HBO foi a grande vencedora. Na comédia, Fleabag, da genial Phoebe Waller-Bridge e disponível no Prime Vídeo , garantiu seu destaque. Nas categorias de minissérie Chernobyl arrasou, a produção é HBO.

A noite teve homenagens às carreiras de Ellen DeGeneres, que falou sobre o impacto de se assumir gay em sua carreira. Kate McKinnon fez um discurso bem lindo ao entregar o prêmio Carol Burnett para Degeneres.

e Tom Hanks que fez um discurso bastante emocionado sobre a importância de cada um que trabalha para se fazer um bom filme. Fechando, chegou a engasgar ao falar da família.

Abertura polêmica:

O discurso de abertura de Ricky Gervais foi desconcertante. A princípio, ninguém ria. Só aos poucos que as estrelas foram relaxando

“lembrem-se, são só piadas, vamos todos morrer em breve e não há sequela”

O comediante britânico retornou começou para pela quinta vez conduzir a cerimônia. Não poupou ninguém: falou do escândalo de admissões em universidades que envolveu inclusive a atriz Felicity Huffman:

“Esta noite cheguei de limousine e a matrícula foi feita pela Felicity Huffman”

Ricky Gervais levantou que muitos executivos poderosos de Hollywood tinham algo em comum: o medo do jornalista que denunciou os abusos do produtor Harvey Weinstein:

“Estão todos cheios de medo do Roman Farrow”

E teve mais:

“Por falar em todos vocês, pervertidos, foi um grande ano para filmes de pedofilia: Surviving R. Kelly, Leaving Neverland… Dois Papas'”.

A falta de representatividade foi também marcada nas falas de Gervais:

“Infelizmente, não podemos fazer nada sobre isso. Os membros da Associação de Imprensa Estrangeira são muito, muito racistas. Íamos fazer um ‘In Memorian’, mas quando vi a lista de pessoas que morreram, só tinha gente branca. Pensei, ‘eu não vou chamar isso’. Talvez no ano que vem, vamos ver o que acontece”.

Teve até referência à Jeffrey Epstein, milionário acusado de pedofilia que se matou. Gervais estava falando sobre suas série After Life ( Netflix):

 “A segunda temporada está a caminho, portanto obviamente que ele não se matou, tal como o Jeffrey Epstein“.

Sobre o filme de Martin Scorsese:

“Longo, mas ótimo… quase com três horas. Leonardo DiCaprio foi à estreia e no fim, a namorada já era velha demais para ele”.

E ainda:

“Não sei como o Scorsese falou que filmes da Marvel são como parques de diversão, porque ele não é alto o suficiente para ir aos brinquedos.”

Teve até a comparação entre o ator Joe Pesci e o Baby Yoda. Pesadona foram as piadas sobre James Corden, Judi Dench no filme Cats:

“A dama Judi Dench defendeu (o filme), falando que foi o papel que ela nasceu para interpretar. Em casa, ela gosta de se sentar no chão pelada, levantar sua perna e lamber sua b***”

“Esse ano, o mundo viu (o apresentador) James Corden como um gato gordo. Ele esteve no filme ‘Cats’. Mas ninguém o viu”

A chegada da Apple no mundo das séries também foi assunto:

“Um drama soberbo sobre a importância da dignidade e de fazer o que está certo, feito por uma empresa que tem funcionários em situação precária na China. Vocês dizem que acordaram… As empresas para quem vocês trabalham, é inacreditável. Apple, Amazon, Disney… Se o ISIS começasse um serviço de streaming, vocês ligavam para os seus agentes”

“Portanto, se ganharem um prêmio esta noite, não o usem como uma plataforma para fazer um discurso político. Não estão em posição para dar lições ao público sobre nada. Não sabem nada sobre o mundo real, a maioria de vocês passou menos tempo na escola do que a Greta Thunberg”. Se ganharem, subam, aceitem o vosso pequeno prêmio, agradeçam ao vosso agente e ao vosso Deus, e deem o fora”

Veja o monólogo de abertura de Ricky Gervais:

Não deu certo. Tivemos discursos fortes como dos atores Joaquin Phoenix, Patricia Arquette e Michelle Williams. Passaram por mensagens políticas e falaram da importância do voto nas presidenciais de 2020. Michelle se dirigiu às mulheres e disse:

“Votem de acordo com o interesse próprio. Os homens têm feito por muito tempo. É por isso que o mundo se parece tanto com eles. Vamos fazer com que se pareça mais com a gente”.

A crise na Austrália também foi lembrada por várias celebridades e foi o motivo da ausência de Russell Crowe, que venceu o Globo de Ouro como  Melhor Ator em Série Limitada ou Filme para Televisão por “The Loudest Voiced”. 

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One thought on “Felizes com o Globo de Ouro 2020 ?”

  1. Gerson Ribeiro

    Paulinha. Adorei essa matéria sobre o Globo de Ouro.
    A propósito, o programa melhorou muito sem o Fefito.
    Um grande abraço, feliz 2020.

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