Ontem, na Lapa, Rio de Janeiro, o rapper Mano Brown falou o que pensa sobre a corrida presidencial em comício do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, do qual participaram aliados e artistas. Em seu discurso, Brown reflete sobre como o partido não conseguiu se comunicar com população e agora pode pagar por isso:

“Se algum momento a comunicação falhou aqui, vai pagar o preço. A comunicação é alma. Se não conseguir falar a língua do povo, vai perder mesmo. Falar bem do PT para torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que precisa ser conquistada ou vamos cair no precipício. Tinha jurado não subir no palanque de ninguém.

“Não gosto do clima de festa. O que mata a gente é o fanatismo e a cegueira. Deixou de entender o povão já era. Se somos o Partido dos Trabalhadores tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar entender. As minhas ideias são essas. Fechou”.

A fala do rapper foi vaiada por parte do público, e seguida por Caetano Veloso que disse:

“Eu acho que a fala de Mano Brown é muito importante porque traz a complexidade do nosso momento. A mera festa pode parecer que temos uma mensagem simples a passar. O Brasil tem sido bombardeado há algumas décadas por uma imbecilização planejada em que filósofos têm dito palavrões para acostumar a mente brasileira à ideia de que o cafajeste é que nos representa. Temos que negar isso dentro de nós – não só nós que estamos aqui, que já lutamos contra isso, mas encontrar meios de dizer àqueles que se deixaram hipnotizar por essa onda. Eu estou aqui por isso, em parte como vocês, em parte como Mano Brown. Eu me oponho a cafajestização do homem brasileiro”.

Fernando Haddad também comentou a fala de Brown:

“Eu compreendo, entendo e respeito o que disse o Mano Brown. Respeito muito. Primeiro porque ele veio aqui. Ter vindo aqui tem um significado muito importante. O que ele disse é sério. Tem irmãos e irmãs nossos que estão na periferia revoltados com tudo que está acontecendo e com razão. Nós precisamos dar razão às pessoas para conquistar as pessoas. Não estou falando dos coxinhas que sempre nos odiaram – estou falando das pessoas estão revoltadas porque estão desempregadas, que deixaram a universidade porque não têm como se manter. Porque saem de casa procurando um destino, procurando um trabalho e não encontram. Essas pessoas, nós precisamos abraçar daqui para domingo. Nós precisamos sentar para conversar. Nós precisamos dialogar – eles não são nossos inimigos”.

Participaram do ato Guilherme Boulos, do PSOL, e a vice de Haddad, Manuella D’Avilla e artistas como Chico Buarque, que ergueu uma placa com o nome de Marielle Franco, assassinada em março, e também discursou:

“Talvez aqueles eleitores que votaram em Bolsonaro, os chamados coxinhas, se sensibilizem com essa onda de boçalidade, com morte de gays, trans, travestis, mulheres, negros e capoeiras. Quem sabe o povo pobre, que votou em Bolsonaro, contra si mesmo porque a proposta dele vai contra essas pessoas, mude de ideia na hora do voto. Não queremos mais mentira, não queremos mais a força bruta. Queremos Fernando e Manuela”

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