Nesta segunda foi anunciada a autora homenageada da Flip do ano que vem. A poeta americana Elizabeth Bishop foi o primeiro nome estrangeiro a ocupar este espaço no evento e a 4º mulher homenageada pela festa em seus 16 anos. Vencedora de dois dos principais prêmios literários dos Estados Unidos, o Pulitzer, em 1956, pela antologia poética North & South, e o National Book Award, em 1970, com The Complete Poems, Bishop publicou apenas 101 poemas, divididos em três livros, em seus 68 anos de vida. Entre as características do seu trabalho, o perfeccionismo.

Agora a repercussão cresceu. Alguns pontos extra obra, que tratam da simpatia da autora pelo golpe militar de 1964, ao qual definiu como uma “revolução rápida e bonita” e de seus comentários considerados pejorativos a arte brasileira, “Se você nunca vê um Picasso autêntico, finge que Portinari é bom — ou se você nunca na vida ouviu boa música, finge que bossa nova é bom e que Villa-Lobos é o maior “, fizeram com que muitos criticassem a escolha de Bishop como homenageada.

Alguns consideram a escolha equivocada principalmente pelo momento que vivemos, sob um governo percebido por muitos do meio com autoritário.

A curadora da Flip, Fernanda Diamant, declarou em entrevista à Folha:

“Esperava uma repercussão, mas não de forma tão agressiva.

“A escolha pela Bishop tem uma ousadia que precisa ser debatida, mas não dessa maneira.”

Também foi dito pela curadora:

“A gente precisa politizar as conversas. E uma das formas de fazer isso é olhar o passado e refletir sobre ele”

“Ao mesmo tempo que elogia o militarismo, ela critica muito o populismo também. O governo Bolsonaro e esses governos todos são muito populistas. Podemos olhar por esse ângulo, por exemplo.”

Na mesma matéria, o escritor Antônio Prata diz:

“Vinicius de Moraes, o primeiro homenageado da Flip, tem uma letra de música asquerosamente pedófila: ‘Aula de Piano’. Jorge Amado, homenageado de 2006, escreveu que Stálin era ‘aquilo que de melhor a humanidade produziu’. Nelson Rodrigues, homenageado de 2007, defendeu a ditadura incansavelmente. No entanto, Vinicius de Moraes, Jorge Amado e Nelson Rodrigues são três escritores gigantes, que alargam a nossa visão sobre a vida”

“Ela [ Bishop ] comemorou o golpe militar. Foi abertamente gay numa época em que isso era heresia. Lúcida como poucos. Bêbada como poucos. O ser humano é complexo. É disso que trata a literatura.”

A festa literária de Paraty acontecerá de 29 de julho a 2 de agosto de 2020.

O diretor Bruno Barreto levou a história de Bishop para o cinema. O foco de Flores Raras, lançado em 2013, foi o romance da autora com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares, com quem viveu por 16 anos. Glória Pires interpreta Lota, e a australiana Miranda Otto vive a poeta.

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