O que está acontecendo é o seguinte: sete cineastas retiraram seus filmes do Cine PE, festival de cinema com tradição de 20 anos, por discordarem ideologicamente de dois filmes que também estão entre os 26 exibidos no festival.

Os filmes são os documentários Jardim das aflições, de Josias Teófilo, sobre o filósofo Olavo de Carvalho, e Real: o plano por trás da história, de Rodrigo Bittencourt, sobre as origens do Plano Real.

Olha o que diz comunicado oficial dos cineastas que retiraram seus filmes diz:

“Favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016. Para nós, isso deixa claro o posicionamento desta edição, ao qual não queremos estar atrelados”.

 

Quem são os 7 diretores que estão retirando seus filmes: Abissal (Arthur Leite), O Silêncio da Noite é que Tem Sido Testemunha das Minhas Amarguras (Petrônio Lorena), A Menina Só (Cintia Domit Pittar), Baunilha (Leo Tabosa), Iluminadas (Gabi Saegesser), Não me Prometa Nada (Eva Randolph) e Vênus-Filó, a Fadinha Lésbica (Savio Leite).

Ontem, os organizadores do Cine PE anunciaram a suspensão do festival. A mostra aconteceria entre os dias 23 e 29 deste mês, no Cinema São Luiz, no Centro do Recife. Agora, será marcada uma nova data para a realização da 21ª edição do evento

Sandra Maria Ramos Bertini Bandeira, diretora do Cine PE, explicou que a decisão de suspender as atividades teve de ser tomada para fazer alterações na grade de apresentações depois que sete cineastas que participariam da mostra desistiram. No comunicado oficial frisam:

“Não houve quaisquer formas de politização das programações, pois uma simples pesquisa sobre as edições passadas, facilmente será revelado que o Festival sempre se pautou em mostrar tendências, linguagens, estéticas e ideologias, da forma mais coerente possível, por entender e evidenciar que o conceito da diversidade dever ser de todos e para todos”.

 

Sandra Bertini assumiu a direção do festival quando o seu marido, Alfredo, tomou posse como secretário do Audiovisual do governo Temer. Mora também nessa questão outro ponto de crítica. Para quem não se lembra, foi Bertini quem demitiu uma série de funcionários do Ministério da Cultura, além de exonerar a cúpula da Cinemateca, escolhendo Oswaldo Massaini Filho para o cargo de coordenador-geral da instituição. A troca durou pouco, e o então secretário teve de voltar atrás na decisão depois de um manifesto de repúdio que demostrava que Massaini respondia a um processo por estelionato. Olga Futemma foi readmitida para o cargo.

Foi também Bertini quem nomeou os membros da comissão que escolheu Pequeno Segredo como representante brasileiro no Oscar. Vocês bem devem se lembrar da polêmica em relação ao filme Aquarius, de Kleber Mendonça Filho.

Em dezembro do ano passado, Alfredo Bertini deixou  o cargo de secretário do Audiovisual.

Agora, gente. Não concorda com a direção do festival… Não se inscreve! E depois de inscrito, não atrapalhe o andamento. Ah! E respeite a diversidade de opiniões.

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