A série Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil começou a ser exibida neste final de semana, e foi ai que começou o maior Charlie 04 entre os produtores da série e alguns dos historiadores e escritores mais importantes do país. Para entender mais sobre o conteúdo da série, assista a entrevista com o apresentado Felipe Castanhari e o autor do livro homônimo e cabeça das polêmicas do programa Leandro Narloch:

Acontece que com a exibição do primeiro episódio, uma polêmica pintou na internet. Historiadores e escritores acusaram o Canal History de não terem informado que as entrevistas que concederam à uma produtora, seriam usadas neste programa. 

Lira Neto, autor de livros como Maysa: só numa multidão de amores e Getúlio (1882 – 1930): dos anos de formação à conquista do poder, foi o primeiro a disparar, com post bastante explicativo no Facebook, onde ele enfatiza quer só soube que a entrevista seria utilizada no Guia politicamente incorreto às vésperas da estreia da série.

 

“O sentimento é de que fui ludibriado. Ninguém me informou antes, durante ou logo após a entrevista qual era a inspiração do programa. Cometi um erro. Assinei uma autorização de direito de imagem, sem ler, como de praxe, confiando na boa fé do entrevistador”, desabafou Lira Neto. “Sinto-me violentado em fazer parte de qualquer produção que recorra à superficialidade e ao polemismo fácil. Neste momento em que se confunde jornalismo com entretenimento, bravata com reflexão, inconsistência com leveza, creio que seja necessário reafirmar o compromisso com a responsabilidade e o rigor da pesquisa histórica.”

No Twitter, Lira contou ainda que a historiadora Lilia Schwarcz e também contou que Laurentino Gomes estariam na mesma situação.

Em comunicado oficial, o History disse:

“A série inclui opiniões diferentes, algumas que contrariam as afirmações do livro. O HISTORY conseguiu criar um programa jovem, relevante, com mais de sessenta historiadores e jornalistas com argumentos e visões divergentes. O HISTORY acredita que a tolerância e o diálogo devem prevalecer. Cortar alguns dos entrevistados certamente empobreceria o debate e o equilíbrio que o canal busca com a série. Todos os entrevistados assinaram a autorização de uso de imagem. Ainda assim, o HISTORY está esclarecendo a situação com a produtora Studio Fly e se manifestará oportunamente”

Hoje, entrei no perfil de Laurentino, e os posts acusando o canal foram apagados, e em referência ao assunto, encontrei apenas um post:

Lira Neto segue bastante indignado, e respondeu inclusive ao apresentador, Castanhari, no Twitter:

De acordo com O Globoa historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz disse que o canal retirou sua entrevista do programa:

— Eu liguei, conversei com eles e disse que com esse título não seria possível participar. Não é uma abordagem que nos representa. Eu gostei muito da equipe de produção, mas não me disseram qual era o programa. É uma abordagem sensacionalista. Sou favorável a uma história até aventuresca e engraçada, mas não é a minha. É um momento difícil da nossa história. Como dizia o professor Evaldo Cabral de Mello, “a história é como a casa do senhor, tem muitas portas e janelas”. Essa só não é a minha. Falei sobre racismo na entrevista. Fui alertada pelo Lira sobre o título (“Guia politicamente incorreto da História do Brasil”). Achei por bem retirar. E eles, muito gentis, aceitaram imediatamente.

 

Atualização:

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