O site The Pudding se propôs a responder a seguinte pergunta:

“A Vogue britânica tem escolhido diferentes tipos de mulheres para suas capas, mas ela está de fato dando espaço para todas as cores de pele?”

Depois de levantar as capas das duas últimas décadas, e considerar como o tom de pele de cada modelo é visto em cada fotografia, o resultado é de que ainda tem-se muito mais mulheres retratadas com pele clara, ou até aparentemente mais clara do que realmente são. Eles usaram uma ferramenta de edição para retirar o fundo das imagens, e aplicaram ainda  um algoritmo para identificar o que foi alterado nas fotos. Conseguiram remover filtros de matiz ou saturação das fotos e identificaram que muitas vezes a cor da pele da modelo foi alterada para o resultado final da imagem.

Imaginem que nos dois extremos das diversas colorações de pele temos as atrizes Lupita Nyong’o e Anne Hathaway. No período entre 2000 e 2005 tivemos 3 de 81 capas com mulheres negras: Marion Jones, Halle Berry e Liya Kebede. De acordo com o estudo, nesses casos a luz dos ensaios foi alterada. O The Pudding avaliou por exemplo o caso da cantora Rihanna, que foi capa da revista por cinco vezes. em todos os casos suas fotos receberam um tratamento de imagem que representou cerca de 40% mais luminosidade do que em outras capas.

O fato de querer apresentar a pele negra como mais clara, se enquadra num conceito chamado de colorismo: nesse caso, resultando na ideia de que a pele mais clara é mais bonita. Colorismo é a discriminação baseada na cor da pele, é uma forma de preconceito e discriminação em que as pessoas são tratadas de forma diferente com base nos significados sociais ligados à cor da pele.

No levantamento, também uma outra questão: em 125 anos de Vogue britânica, apenas um fotógrafo negro participou ativamente da revista. Em setembro de 2018, Beyoncé foi fotografada por Tyler Michell, o primeiro profissional negro a fazer uma capa para a revista.

Encontrei um estudo intitulado A Representatividade Étnica Negra na Revista Vogue Brasil, que se propõe a fazer uma análise comparativa dos anos de 2009 a 2016.

Analisando as revistas veiculadas em 2009, contatou-se que nenhuma delas teve em suas capas modelos negras.

A edição de janeiro de 2011 (ed.389) publicou pela primeira vez em sua capa uma modelo negra brasileira, Emanuela de Paula. a própria revista trouxe para a discussão ao apontar modelos negras que se destacaram, colocando em sua capa a manchete: “BLACK IS BEAUTIFUL: edição especial traz exclusivamente modelos negras”, definindo a edição como sendo voltada à beleza negra.

Em uma capa de maio de 2013 (ed.417), a top model Naomi Campbell aparece, com traços étnicos descaracterizados, como os cabelos levemente ondulados e loiros. Em uma publicação de Maio (ed.429) de 2014, a cantora Rihanna foi o destaque da revista, estampando duas capas para o mesmo mês. Assim como Naomi Campbell, Rihanna foi artificialmente produzida de forma a minimizar o visual do cabelo crespo e o nariz mais largo característico do fenótipo negro.

Em fevereiro de 2016 (ed.450), a modelo Jourdan Dunn foi capa da revista, e, pela primeira vez em oito anos, não houve descaracterização do fenótipo negro. É possível notar o cabelo crespo e armado, além do ângulo frontal da foto, que geralmente é tirada de lado para ocultar o nariz mais largo.

Como resultado da pesquisa realizada por Ana Caroline Siqueira Martins, que pesquisou as edições de 2009 a 2012 da Vogue Brasil é de que a porcentagem de modelos negras nas capas foi de 6,25%, (3 das 48 capas analisadas), nas edições de 2013 a 2016, a porcentagem foi de 10,4%4, ou seja, apenas 5 das 48 capas.

RIP Carol Bittencourt LIVE Got: O que achei da aguardada batalha dos vivos contra os mortos

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