A plataforma de streaming já entendeu que para ganhar prêmio, tem que estar também nas salas de cinema, pelo menos para se tornar classificável a concorrer os grandes prêmios da sétima arte. Desde 2018, por exemplo, o Festival de Cannes implantou a regra de que qualquer filme que deseje participar da Competição em Cannes tem que se comprometer a ser distribuído nos cinemas da França.

Roma, que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, estreou em um numero restrito de salas, assim como acontece agora com  O Irlandês e História de um Casamento, que receberam indicações ao Globo de Ouro, e devem repetir o feito na premiação máxima do cinema. História de um Casamento liderou o número de indicações, estando presente em seis categorias incluindo melhor filme de drama. O Irlandês, de Martin Scorsese e Era uma Vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino, receberam cinco indicações cada.

Mas a fórmula cinema/streaming parece ainda não agradar os donos de cinemas. O presidente-executivo da segunda maior rede de cinemas do mundo botou o dedo na cara da Netflix e culpabilizou a plataforma pela bilheteria insignificante de O Irlandês, de Martin Scorsese. O motivo, segundo Mooky Greidinger, foi a janela de tempo muito curta entre o lançamento do filme nos cinemas e no serviço de streaming.

O Irlandês chegou aos cinemas em 1º de novembro nos Estados Unidos e em 8 de novembro no Reino Unido, e o filme fez sua estreia online já em 27 de novembro. A Netflix tem exibido suas produções em número reduzido de salas, com uma semana de antecedência do lançamento on demand. Algumas cadeias de cinema se recusaram a exibir os trabalhos da empresa exatamente por considerarem a janela de exclusividade curta demais. A empresa inclusive comprou um cinema em Nova Iorque, e estaria interessada em comprar outras salas para exibir suas produções e realizar eventos especiais.

Existe uma real disputa entre cinemas e as plataformas de streaming. Enquanto a Motion Picture Association of America mostra que a bilheteria mundial do cinema em 2018 foi de US$ 41,1 bilhões, os gastos dos consumidores com programas de TV e filmes em casa subiram em 16%, para US$ 55,7 bilhões..

Em artigo para o jornal The New York Times, Scorsese falou sobre a preferência de ver seu filme por mais tempo nos cinemas, mas levantou a questão de que as salas estão ocupadas exibindo franquias cinematográficas.

“Você talvez argumente que basta ir para casa e assistir a qualquer coisa que você deseje na Netflix, iTunes ou Hulu. Claro que sim —em toda parte menos a tela grande, que é a mídia para a qual o cineasta concebeu o seu filme”

Quando venceu o Oscar por Roma, Alfonso Cuarón defendeu a Netflix:

 “Alguns amigos e outros cineastas me disseram, ‘O que está fazendo?’. É como se eu tivesse traído algo. Mas acho que o debate mudou. A maioria das pessoas reconhece que Roma alcançou o público mundialmente de maneira que somente os filmes mais caros conseguem.”

“Para mim, o debate sobre lançamento nos cinemas é muito importante. Sou cineasta. Acredito na experiência nos cinemas. Mas precisa haver diversidade. A experiência cinematográfica múltipla é muito gentil. Você tem um tipo de produto com poucas variações. É difícil ver filmes de arte em exibição nos cinemas. É difícil ver filmes estrangeiros. A maioria dos cinemas só exibe grandes produções de Hollywood.”

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