Uma baleia jubarte de 15 metros e com quase 40 toneladas encalhou e morreu em Salvador na última sexta. O corpo estava na praia de Coutos, aguardando retirada da prefeitura, que está em fase de conclusão do serviço.

Agora, na internet, o que pode-se ver é que muitos moradores buscaram a carne do animal morto para fazer churrasco. Existem vídeos que mostram pessoas cortando nacos do animal, e outros em que moradores da região estão preparando a carne em grelhas e assadeiras.

O consumo dessa carne é de alto risco para a saúde, que que pode haver contaminação. Quando uma baleia encalha, sinaliza que já está doente, e logo depois de morta já se inicia o processo de decomposição. Além disso, o consumo dessa carne é infração ambiental com base na Lei 7.643/87, que proíbe pesca, consumo e comercialização de cetáceos em águas brasileiras. A lei prevê que matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão pode resultar em pena, com detenção de seis meses a um ano, e multa. Também incorre nas mesmas penas, quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.

Depois de publicadas as informações sobre os riscos do consumo desta carne, moradores resolveram vender ou jogar fora o material.

Identificados por reportagens, Jorge Silva, que fez seu churrasco, filmou e postou na internet, contou ter colhido carne suficiente para ele e sua família comerem durante cerca de dois meses. Sobre o consumo de parte da carne, ele relatou que não passou por nenhuma alteração no seu estado de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde informou que não há registros de casos de pacientes, desde a sexta-feira, com sintomas de náuseas, enjoos ou vômitos, entre pessoas que consumiram a carne da baleia.

Em conversa com o CORREIO, ele disse que se livrou de tudo, com medo de intoxicação alimentar:

“Desde domingo que eu como e não senti nada até agora. Mas, depois de toda a repercussão, as pessoas me mandando prints da reportagem falando que seria crime, que tinha risco à saúde, eu resolvi vender tudo o que sobrou. Não enganei ninguém, vendi para as pessoas avisando que se tratava de carne de baleia mesmo”

Jorge vendou cada quilo da baleia por dez reais, e juntou R$ 300, que financiarão o carreto e o primeiro aluguel da nova casa onde ele e a família vão morar.

“Sou pai de família e estou desempregado. Apenas a minha esposa está trabalhando hoje como manicure. Quando eu vi a oportunidade de pegar uma carne e economizar o pouco que ganhamos para outra coisa, não pensei duas vezes”

Sobre a Remoção do corpo do animal:

A Empresa de Limpeza Urbana de Salvador informou que a equipe fez a retirada total da carcaça da baleia. No total, foram retirados 28.930 kg (cerca de 29 toneladas) e encaminhados para o Aterro Metropolitano Centro. Para a total remoção, seguindo o protocolo do Instituto Baleia Jubarte, restos do animal tiveram de ser rebocados a barco para a Praia de Tubarão, onde uma retroescavadeira, dois caminhões, duas caçambas, um veículo com guindaste e dois contêineres auxiliaram a equipe da Limpurb. Houve ainda a limpeza da praia, tanto de Coutos quanto de Tubarão, e ainda hoje haverá um repasse da lavagem e da limpeza para garantir a higiene do local.

 

 

Bolsonaro responde a Antonia Fontenelle Cineminha? Corgi: Top Dog e filme dirigido por Gael García Bernal enfrentam It 2

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.