O documentário Chega de Fiu Fiu integra a campanha homônima criada em 2014 pela organização Think Olga. a discussão é em torno de um tema que já causou inúmeras discussões: o assédio faz parte do dia a dia das mulheres e, como mostra o doc, é muitas vezes interpretado como atitude natural e aceitável, apesar de implicar na restrição do direito ao espaço público.

Mulheres: quem nunca teve medo de passar por uma rua escura demais ou sair sozinha?

O filme discute, por exemplo, se cantada é assédio?, e propõe um mergulho no tema, desde as origens das cidades brasileiras, estigmatização e sensualização da mulher negra e o início do discurso feminista no País.

No doc, as histórias pessoais das entrevistadas são intercaladas por debates de um grupo de homens que refletem sobre o que é apresentado. Empatia, né?

Sob a luz da pergunta “as cidades foram feitas para as mulheres”? O filme fala com de Rosa Luz, uma mulher negra, trans e artista visual de Brasília, de Raquel Carvalho, negra, manicure e estudante de enfermagem e moradora de Salvador, e Teresa Chaves, branca, professora de História, cicloativista e moradora de uma região nobre de São Paulo.

Para se fazer esse documentário, foram realizadas entrevistas e grupos focais com homens em que se levantou que o assédio é mais uma demonstração de poder do que uma tentativa de flerte ou de buscar de fato se relacionar com uma mulher. Atitudes que muitas vezes humilham, ofendem e subjugam as mulheres, as submetendo a situações não consensuais. Assim, sendo os homens os autores da violência contra as mulheres, precisam ser parte da solução.

Um dos recursos para mostrar o que acontece com as mulheres nas ruas foi a utilização de óculos com uma microcâmera escondida,

Dados justificam se tratar deste tema: No Brasil, uma mulher é vítima de estupro a cada onze minutos. Em 2014, a Think Olga questionou quase 8 mil mulheres e no resultado, 98% delas já haviam sofrido assédio nas ruas. ActionAid de 2016, 86% das brasileiras já sofreram violência sexual ou assédio em espaços públicos. Delas, 77% ouviram assobios, 57% ouviram comentários de cunho sexual, 39% xingamentos, 50% foram seguidas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% tiveram homens que se exibiram para elas e 8% foram estupradas.

A diretora é Amanda Kamanchek.

 

Cineminha? Hans Solo, filme sobre a maternidade e Isabelle Ruppert Até tu, Morgan Freeman?

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